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É a cultura, estúpido!

Na última quarta-feira do mês, no Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz.

Anabela Mota Ribeiro

sexta-feira, junho 30, 2006
sugere que se oiça Alice Coltrane



e que se leia Clarice Lispector.


(Contos, Relógio d'Água, 2006)

Press Release

quinta-feira, junho 22, 2006
É a Cultura, Estúpido fecha para férias

No próximo dia 28 de Junho, o Jardim de Inverno recebe o último É a Cultura, Estúpido.
A equipa vai de férias, mas antes fará um balanço literário, cinematográfico e musical do 1º semestre de 2006. E porque o Verão é grande, fique a par de tudo o que há para ler, ver e ouvir, assim como de tudo o que há para não ler, ver e ouvir durante estas férias. Haverá ainda opotunidade para eleger os melhores e os piores deste semestre, nas áreas da
música, televisão, blogues, rádios, cinema e imprensa.
A sessão conta com a participação de toda a equipa residente do
É a Cultura, Estúpido: Anabela Mota Ribeiro, Daniel Oliveira, José Mário Silva, Nuno Artur Silva, Nuno Costa Santos e Pedro Mexia.

Quarta-feira, 28 de Junho, às 18.30
Jardim de Inverno, Teatro Municipal de S. Luiz

O futuro próximo de cada um

sexta-feira, junho 09, 2006
O «É a Cultura, Estúpido!» de Junho fecha a quarta temporada de encontros no Jardim de Inverno. Estará ainda mais calor, estaremos nas vésperas dos quartos de final do Mundial de Futebol. Ninguém vai querer falar de outro futuro que não seja o dos meses que se seguem: as férias. O que ler, que filmes ver, que discos passar para o iPod, que equipa apoiar nos jogos que faltam, como sobreviver se não se gostar de futebol. Não perca as sugestões de Anabela Mota Ribeiro, Daniel Oliveira, José Mário Silva, Nuno Artur Silva, Nuno Costa Santos e Pedro Mexia, no último «É a cultura» da season, mais silly do que nunca, com todo o plantel convocado para a mesa.

Ouvido no São Luiz, 4

Anabela Mota Ribeiro: O elemento anacrónico numa cidade daqui a 50 anos será o carro com um só condutor?
Manuel Graça Dias: Sim, como hoje são para nós o riquexó ou a liteira. O automóvel parado e a andar ocupa um espaço descomunal, de tal maneira que as cidades ocupam elas próprias um espaço descomunal.

Ouvido no São Luiz, 3

«A cidade da Idade Média é fechada, limitada, um círculo de muralhas com pessoas lá dentro. A cidade contemporânea é tudo menos isso. Lisboa é uma cidade de emigrantes.»
Manuel Graça Dias

Ouvido no São Luiz, 2

«Somos todos classe média, mesmo os que não são. Quem não é, sonha ser e pensa como classe média, tem um olhar que não tem obrigatoriamente a ver com a sua própria vida. O medo não se apodera da classe média, mas de todos que supostamente vivem naquela realidade.»
Daniel Oliveira

Ouvido no São Luiz, 1

«A questão que se coloca hoje é como é que se podem encontrar formas de agregação, de consenso. As formas societárias de agregação assentam sobretudo no lazer e funcionam em monocultura. É preciso construir formas societárias de agregação que não assentem exclusivamente no lazer. São as instituições culturais que podem produzir comunicação interpessoal. Há uma tipologia criada no século XIX, os teatros e museus, instituições culturais em bom estado, que se pode aproveitar. O século XX criou os centros culturais que já não estão em bom estado e que se deviam deitar fora.»
Delfim Sardo

relato da última sessão

quinta-feira, junho 08, 2006
MUITAS CIDADES DENTRO DA CIDADE

Anabela Mota Ribeiro começou pelo princípio e perguntou aos presentes que cidades teremos no futuro. É ao cinema que Manuel Graça Dias, arquitecto, vai buscar dois futuros diferentes para as cidades, os filmes Blade Runner e Barbarella. O que mais se pode aproximar da realidade é, acredita, o que se vê no filme de Ridley Scott: «uma sobreposição de coisas que conhecemos, pontuadas por coisas novas; as estruturas físicas das cidades como aquelas em que vivemos estão lá, assim como os elevadores estragados». A arquitectura tem essa possibilidade, de permanecer no tempo, quando assim é concebida, por isso chegaram até nós as pirâmides de Gizé, estruturas mais investidas, monumentos, apesar das aldeias e cidades que lhes foram contemporâneas terem desaparecido. Sobre o que ficará Graça Dias acrescentou: «hoje construímos de uma maneira mais simples, mais rápida e com expectativa de durabilidade. Uma cidade hoje não arde de um dia para o outro.» Delfim Sardo, agente cultural em território urbano, concorda com a escolha dos dois modelos cinematográficos, o limpo, da esperança de Barbarella, e o sujo e apocalíptico, em Blade Runner. É também nesta última antevisão que mais acredita: uma cidade de tal modo saturada de imagens que as armadilhas são permanentes.
E o que faz a diferença entre as cidades, as cidades de hoje, as que hão-de vir e todas as que já não são? Anabela Mota Ribeiro, moderadora e moderada, questionou se não seria o modo como as pessoas se organizam e o movimento na cidade que faz a diferença. Para o arquitecto, o tema das deslocações é dos mais importantes. Segundo Graça Dias, a breve prazo assistiremos ao abandono do transporte privado como o conhecemos hoje, «e não será por estarmos na curva descendente das reservas petrolíferas». A tendência será para vivermos da maneira mais confortável possível, movimentarmo-nos numa área restrita onde não se perde tempo com deslocações ou, em alternativa, usar transportes colectivos. Nada disso se passa já hoje, os transportes públicos estão cheios de jovens, emigrantes e velhos, as pessoas mais fragilizadas do ponto de vista dos transportes. O arquitecto explicou então os três pontos que considera determinantes no desenvolvimento das cidades: além da exclusão dos automóveis privados, que introduziria uma verdadeira alteração, Graça Dias chamou a atenção para a emigração, «traz alegria para as cidades, novas maneiras de vestir, melhor oferta de restaurantes, lugares de culto diferentes, livrarias», as cidades também são lugares de cruzamento cultural. O terceiro ponto de viragem: a confiança dos governantes na capacidade das pessoas se exprimirem e verbalizarem as suas necessidades.
Delfim Sardo tem a certeza de que o futuro das cidades depende de circunstâncias locais de desenvolvimento. Apesar disso, acredita que vivemos um processo de medievalização da cidade. E explicou-o assim: «voltámos a assistir ao fenómeno de concentração de propriedades» (visível nas mais diversas áreas, nas artes corresponde à importância crescente das colecções privadas); «assistimos a uma fragmentação dos poderes», contra a qual o poder central luta, armando-se de mecanismos administrativos; «o inglês representa um fenómeno de língua franca, similar ao latim na Idade Média»; «de um ponto de vista cultural verifica-se uma pulverização das heterodoxias semelhante às heresias medievais».
Daniel Oliveira, no papel de agente provocador, acha que os futuros são sempre falíveis. Ou seja, não se previa que a mulher entrasse no mercado de trabalho e que isso mudasse a cidade. «O comércio tradicional é feito por donas de casa. A contracção do comércio em centros comerciais, corresponde a uma democratização do consumo e à entrada da mulher no mercado de trabalho.» Para Daniel Oliveira, é impossível discutir a cidade sem discutir o futuro da política e da economia, «a cidade é o espaço da política». Com a concentração da propriedade e a degradação do papel do estado, é inevitável a degradação da cidade tal como a conhecemos, como espaço de poder relativamente planeado. Mas, pergunta Daniel, «ao mesmo tempo que temos uma diminuição deste poder não temos uma uniformização das cidades»? A verdade é que as lojas chinesas, por exemplo, mudaram o cenário das cidades, mas são todas iguais. «As cidades são feitas de memórias, será que a emigração e a desregulação não farão das cidades cada vez menos um espaço de memória?»
Quanto à questão da segurança, levantada sempre que se fala na emigração, Daniel Oliveira tem dúvidas de que a cidade seja mais insegura hoje em comparação com outros períodos históricos. O que lhe parece é que há um recuo das pessoas em relação à cidade. À semelhança do que acontecia no documentário exibido recentemente na RTP sobre a violência nas escolas, filmado com uma câmara escondida, ficamos com medo, «as pessoas vivem a cidade assim, mediada por imagens que só acontecem nos ecrãs, como foi o caso do arrastão». «Já há uma cidade hoje que nos escapa, cidades que não se tocam a não ser pela televisão, muitas cidades diferentes na mesma cidade», conclui.
Graça Dias apontou a Daniel Oliveira um erro de perspectiva nas suas considerações: «fala do lado da classe média, como se fosse a totalidade do país e da cidade; quem tem medo é a parcela mais pequena da população, é quem anda de carro e vive nos condomínios fechados». A fauna da cidade é diversa e é aliás por isso que a democracia tem a sua génese nas cidades: «somos muitos e temos que inventar formas de nos tolerar».
E como pode ser cimentada a identidade das cidades? A pergunta foi de Anabela Mota Ribeiro, que assim relançou o debate. Bairro Alto, tasca, fado, rio, são flashs dispersos que «forjam uma identidade que não corresponde às práticas», crê Delfim Sardo e acrescenta: «há uma confusão entre identidade e as marcas que as cidades inventam para serem vendidas, a identidade não passa por aí e é uma negociação permanente». Daniel Oliveira concorda, «a identidade é sempre qualquer coisa de forçado, a prova disso é que digo “eu também sou português”». Além disso, a mesma identidade é uma forma de defesa dos autóctones, «há resistências da parte de quem recebe e de repente somos todos europeus». Manuel Graça Dias sente-se mais próximo de um arquitecto de Rejkjavjk do que do seu vizinho de cima. A cidade é para o arquitecto um território riquíssimo onde o imprevisto acontece, ao contrário do destino, do fado, não podemos determinar o que acontece, «forçar a integração dos emigrantes é como criar uma identidade para os turistas, a cidade tem que se resolver o melhor possível, mas não podemos ser nós a fazê-lo». Nesse ponto, Daniel Oliveira está de acordo: «o encontro dos emigrantes com a cidade faz-se naturalmente, com tempo». O problema é que os emigrantes trabalham catorze horas por dia, não têm ainda tempo. Daniel confessa que não vive angustiado com o envelhecimento da população europeia. Acha que no futuro haverá menos europeus, menos cristãos, menos brancos no mundo. Os emigrantes virão para aqui preencher o vazio e terão alguns dos nossos luxos.
A terminar falou-se de todos os outros que se movimentam na cidade, às vezes com dificuldade. «As nossas cidades não estão pensadas para crianças e velhos, não é uma questão de demografia, mas de democracia», diz ainda Daniel Oliveira, «a nossa cidade é pensada para quem produz». É caso para dizer, contrariando Graça Dias, que «a cidade não acontece naturalmente». Segundo Delfim Sardo, acontece mesmo violentamente: Lisboa, por exemplo, tem barreiras de circulação poderosíssimas, e a responsabilidade disso atribui-a aos arquitectos que, segundo Sardo, sendo responsáveis não podem remeter para a adaptabilidade a entropia gerada na cidade. O arquitecto presente acusou o toque. Para Graça Dias, Delfim Sardo é funcionalista nestas considerações porque pressupõe que haveria um momento em que tudo funcionaria na perfeição. Manuel Graça Dias defende-se assim: «o arquitecto não é um ser supremo, tenta fazer coisas com sentido, anda em bolandas entre quem quer fazer as obras e as exigências legais que contornam as áreas, muito limitadas, onde pode actuar». Era já tarde no Jardim de Inverno e havia ainda uma infinidade de cidades à espera de serem percorridas por cada um de nós. Com mais ou menos escadas, pedras da calçada levantadas no passeio, de metro, de carro, de eléctrico, a pé, até casa ou para o ponto seguinte, do Chiado irradiaram as lisboas de cada um.

Ecos na blogosfera

sexta-feira, junho 02, 2006
Ele foi ao É a cultura.