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É a cultura, estúpido!

Na última quarta-feira do mês, no Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz.

Relato da última sessão

MÚSICA POP, O FUTURO DA ENORME MOULINEX ESTÉTICA

Pedro Mexia quis começar o debate com um ponto prévio; antes dele, vamos ao nosso. Os que rumaram ao S. Luiz na quarta-feira passada sabem que é impossível reproduzir o que por lá se passou com exactidão. Os que não foram ficarão para sempre sem conhecer os mais de quarenta nomes de artistas pop deixados cair por todos os intervenientes ao longo da sessão, o modo como cada convidado marcava com o pé ou a mão o ritmo da faixa escolhida para ouvir, a mordacidade em directo de João Lisboa. (Também fica de fora deste relato a luz no Jardim de Inverno, que agora é dia até mais tarde e há menos desculpas para faltar a mais um encontro sobre o futuro de qualquer coisa – talvez da Soraia Chaves, como pedia o moderador.)

Começou, então, o Pedro Mexia por perguntar o que é isso de música Pop, categoria que integra o rap, Leonard Cohen e Britney Spears. Para João Lisboa, crítico do Expresso, «é conceito muito cheio e simultaneamente vazio». A expressão fez sentido quando foi cunhada nos anos 60, partia do rock’n’roll e abarcava muitas outras coisas diferentes (das experiências a partir do folk às canções de autor). Hoje em dia, tem uma função agregadora: «usa-se para chamar o que não é jazz, não é clássica, não é world music; pode usar-se como referência a coisas que não preenchem o top ou vendem milhões: uma banda ou um artista com público pequeno, num mercado enorme, pode sobreviver».

Nuno Galopim, que além de dirigir o suplemento , do Diário de Notícias, assina um programa na rádio Radar, disse que a música que espalha no éter não é pop em termos de vendas. «Pode vir a ser pop na medida em que novas experiências hoje podem vir a ser pop daqui a uns anos. No programa da Radar há novo, mas também antigo. A ideia é habituarmos o ouvido ao que vai acontecer.» O termo pop é um palavrão quando é associado ao que se vende, muitos músicos consideram-no um insulto porque sentem que a pop é Britney Spears e Anastacia.

Mário Lopes, o mais novo dos críticos da mesa e que exerce no Público, contou como a pop nasce a partir do momento em que há uma emergência da cultura juvenil. E prosseguiu: «Hoje, chamamos pop ao heavy metal dos Napalm Death e ao Scott Walter. Os grandes movimentos massivos como o punk e o psicadelismo foram reduzidos aos tops e às rádios do nosso descontentamento, perdeu-se a pop no sentido lúdico e variado.» Nos anos 60 e 70, vendiam mais discos os mais criativos (Beatles, Stones, Beach Boys), os Velvet Underground vieram acabar com isso (eram criativos e não vendiam assim tanto) e as gerações seguintes consomem música de modos menos obcecados. A música pop em 2006 reflecte este percurso.

Retomando uma ideia de Mário Lopes, «a impossibilidade de existirem hoje grandes movimentos», Pedro Mexia lançou uma nova pergunta: «em que medida é que estando tudo inventado nos limitamos a fazer cruzamentos, homenagens, pastiches; não haverá um sentimento de exasperação na música mais recente?»

Em resposta, João Lisboa recuou até à pré-história: daí até Agosto de 1952 (altura é que apresentado publicamente pela primeira vez o 4’33’’, de John Cage), há um percurso evolutivo da linguagem musical que termina. «Abriu-se um espaço de silêncio que pode ser habitado por qualquer tipo de som. Desde então, tudo pode ser música, começou uma nova era.» Em termos de linguagem musical, a música pop rock é muito simples, muito convencional. E, segundo o crítico, as linguagens musicais convencionais, tradicionais, têm tendência para o esgotamento de géneros que morreram, numa reprodução infinita que não traz nada de novo. «O rock, por exemplo, tende a ser cada vez mais a reciclagem de coisas, em ciclos cada vez mais apertados. No entanto, acontece dessa enorme Moulinex estética saltarem uns salpicos.» Esses salpicos podem ser cruzamento de géneros, o último que João Lisboa ouviu foram os Clap Your Hands Say Yeah. Segundo Nuno Galopim, para esta reciclagem, não necessariamente má, contribuem a criação de híbridos, sim senhor, mas também «o nascimento de novas ferramentas: guitarra eléctrica, sintetizador, transformação do gira-discos numa máquina de fazer música.»

Para João Lisboa, a Internet funciona como consciência histórica dos melómanos, e «contribui para um saber enciclopédico e nostalgia do não-vivido». Lisboa está cada vez mais convencido de que «num futuro próximo, no prazo de anos ou menos, a música gravada (e o que isso envolve no que respeita ao conceito de edição) vai acabar ou ser reduzida às edições especialíssimas do vinil». O que pode querer dizer que os músicos não poderão dar um passo que não seja facturável pelas editoras que assim compensarão a quebra de vendas. E nesse caso, o que acontecerá às editoras independentes? «É preciso que criem algo como uma ética do fã que se compromete a não fazer downloads ilegais.» Galopim vê na Rede uma «ferramenta fundamental para descobrir mais música, mais depressa», já que proporciona uma súmula de informação que há 25 anos era impossível. No entanto, fez questão de afirmar, é um «legalista convicto»: «se não se inventarem mecanismos de monitorização, as editoras transformam-se em gestores de fenómenos paralelos à música. Os concertos, por exemplo, podem ser ainda mais caros do que já são».

A puxar o debate para território luso, Nuno Costa Santos falou de Dead Combo, novo fado, rap, e Humanos, para perguntar depois: «será que o futuro da pop portuguesa ficou em causa quando o João Loureiro abandonou os Ban para ser presidente do Boavista?»

Nuno Galopim acha que talvez os vocalistas tenham um futuro mais simpático e mediático no mundo do futebol. E sobre o panorama actual afirmou que «há coisas interessantes a acontecer e outras menos interessantes». O jornalista disse ainda achar que o mais inovador a acontecer na música portuguesa está no jazz e nos instrumentais. Além disso «há bom fado e reivenções más, ainda estamos à espera do Gotan Project português». Galopim confessou que 2005 foi um dos piores anos para a música portuguesa e que não acredita que «o balão de oxigénio da música portuguesa esteja no hip hop: ainda estamos no início, era bom que cortassem na verborreia, não há tanta renovação como nos estão a querer vender». No outro canto da mesa, João Lisboa achou que o problema da música portuguesa é o excesso de habilitações: há demasiados advogados, médicos, engenheiros. «O investimento desesperado na coisa musical é sempre pouco. Tom Waits dizia que nunca se deve dar um concerto com a carteira no bolso, deve-se tocar como se não se tivesse dinheiro. Somos um país de designers e estilistas a servir à mesa».

Mesmo antes das alegações finais, o moderador quis discutir a actividade exercida pelos convidados. Perguntou-lhes sobre as suas embirrações e sobre o que achavam delas como ponto de partida para uma crítica. Nuno Galopim respondeu que de uma embirração pode resultar um bom texto. Quanto a alvos, embirrou durante muitos anos com os Delfins, prefere agora Ben Harper e Coldplay. Mário Lopes assumiu que contra a sua geração não gostava de Pixies. A verdade é que, confessou no Jardim de Inverno, durante muitos anos «não ouvia música composta depois de 1973 e achava o fenómeno à volta da banda de Frank Black demasiado exagerado».

João Lisboa é conhecido por ter uma longa lista de embirrações (às quais se refere com mimos como «chinela fedorenta da folk»), Pedro Mexia salientou Belle and Sebastian e perguntou ao crítico o porquê da aversão. Foi um dos momentos altos do debate, quando João Lisboa explicou que os Belle and Sebastian são «insuportáveis, queridos, fofinhos, se os ouvirmos daremos todos as mãos e esta mesa levitará». Ouvimos, de facto, mas da assistência o fenómeno da levitação não foi visível, talvez porque o exemplo escolhido não fosse dos mais «choninhas». Pedro Mexia explicou que os Belle and Sebastian também eram arrumados sob esta etiqueta e perguntou se havia muitos mais exemplos deste género. Infelizmente, segundo João Lisboa, sim, há muitos mais, «a espécie humana não aprende, recicla infinitamente os seus próprios erros, sempre de forma cada vez mais entropizada».

Outra embirração do crítico do Expresso são os Strokes. Lisboa, deu-se ao trabalho de, num texto publicado, fazer uma arqueologia de cada tema de um dos álbuns, explicando, faixa a faixa, onde tinham ido «roubar, copiar, expropriar», para depois reproduzir. João Lisboa concluiu que os Strokes são um exemplo de um Frankenstein que correu mal, «aplica-se a corrente e o animal continua morto».

Sobre os Strokes e do label que lhes colam, remake remodal, Nuno Galopim comentou: «"remake remodal" é uma boa canção dos roxy music... além disso, reabriu as portas de quem edita discos ao novo rock e os Strokes, sobretudo com o primeiro álbum, tiveram nisso alguma importância». Quanto a fazer o que já foi feito, Mário Lopes acha bem; «na música pop, tudo depende do momento». No entanto, acrescentou que não concorda com a etiqueta remake remodal para a banda. «Isso é dito pela memória de quem ouve, é dito pelas mesmas pessoas que receberam nos anos 80 os Jesus and Mary Chain como uma banda inovadora, quando na verdade estavam mais perto dos Velvet Underground do que estão hoje que os Strokes.»

No fim do tempo, discutiu-se o tempo. Nuno Costa Santos, na sua última intervenção, lançou ainda uma pergunta: «a pop não servirá precisamente para fazer uma música que é a música de um momento da nossa vida e depois se deita fora», mesmo que seis meses depois? «Sim, os Táxi fizeram isso nos anos 80: mastiga-se e deita-se fora», a respondeu Nuno Galopim, «a pop é por definição efémera». Quanto a Mário Lopes, «o tempo faz a depuração, há qualquer coisa que se destaca e fica». E há fenómenos que não se entende: «por que é que se convencionou que o Sargent Pepper’s... era o mais importante álbum dos Beatles, quando é brilhante, mas não o melhor?» A Pedro Mexia preocupa-o o tempo que passou há pouco tempo, os anos 90: o que aparecia então como movimento, ou se diz hoje que afinal não era ou tem um imenso desprestígio crítico, como é o caso do grunge. «Como é que de repente tudo isso é lixo?», interrogou Mexia.

Mário Lopes acredita que aconteceram várias coisas importantes nos anos 90, mas considera que «o grunge é uma criação fictícia de uma cena, não são as bandas mais interessantes que convivem com os Nirvana que saltam para a ribalta, os Nirvana eram o lado bom do grunge». Nuno Galopim, que anda por cá há mais tempo, relativizou: «estamos na fase de dizer mal dos anos 90, é sempre assim, durante muito tempo fizeram isso com os anos 80». Para Galopim, a verdadeira questão é a que deixou no ar: «que anos 90 vão ser reinventados, quando chegar a altura, os 90 de Alice in Chains ou os de Tricky?» E foi assim que regressámos a casa, já de noite, e deitámos os olhos à pilha de cds: qual será o próximo objecto da nossa nostalgia?


[Margarida Ferra]
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12:11 da tarde

Cultura? Pop?! Não percebo a relação. Tanta asneira num texto só...    



9:25 da tarde

Relato bastante pormenorizado e fiel ao que lá se passou.
Foi a 1ª vez que assisti. O assunto 'chamou-me'.
Fiquei impressionado com a elegância de P.Mexia como moderador. Afabilidade, discrição e humor q.b. e um tremendo sentido de oportunidade na colocação de questões. Deveria dar aulas à maior parte dos moderadores televisivos.
J.Lisboa esteve à altura das suas crónicas/críticas, de há muito, as melhores do género na imprensa portuguesa.
Relativamente a Mário Lopes, subscrevo as suas opiniões e escolhas musicais. Clareza nas ideias e no modo de apresentá-las.
Muito honestamente, achei a dicção de N. Galopim demasiado próxima do discurso radiofónico, o que o fez perder alguma naturalidade. Ref. as suas ideias e escolhas musicais: custa-me um pouco dizê-lo (já que lhe devo a descoberta de nomes desconhecidos através dos «Discos Voadores»), mas acho que talvez tenha sido demasiado pop:). Não conhecendo 'ao vivo' até então nenhum dos intervenientes, surpreendeu-me menos que os demais.
Também esperava mais de N.C.Santos como agente provocador. Poderia ter ido mais longe. Parece ser capaz disso.
Resumidamente, em cerca de 100min, todos discorreram sobre inúmeros aspectos dum assunto para o qual nem 48h seriam bastantes.

só +1 pouco:
Para esta minha 1ª experiência ter sido perfeita, terá faltado a presença de António Sérgio, não ter sido referido que os ciclos revivalistas do negócio pop se devem também ao facto de os indíviduos que, aos 30 e muitos/ 40 e tal anos, chegam ao topo das editoras, rádios e jornais, 'obrigarem' os mais jovens a consumir a música que eles próprios ouviram quando tinham cerca de 20 anos. Arrisco-me até a imaginar que, se os 5 intervenientes tivessem hoje essa idade, poderiam muito bem preferir ouvir p.ex. «trance», talvez o género com a gramática sonora mais inovadora dos últimos anos. (talvez não:)
Enfim, já foi para mim recompensador poder ouvir os pontos de vista de profissionais, de quem está por dentro dum assunto do qual sou amador desde miúdo e, ainda mais, ter ouvido pela 1ª vez os "Richmond Fontaine". Vou já atrás deles. Obrigado.    



4:38 da tarde

Já assisti várias vezes ao "É a Cultura, Estúpido" e devo dizer que o último foi demasiado morno e até me deu ideia para um tema: O Futuro do "é a cultura, estúpido". Será que há? Com a concorrência do sol e das esplanadas, das comunidades de leitores e um sem número de actividades à mesma hora, não sei.
Os problemas, na minha opinião, foram os seguintes: todos os convidados tinham a mesma relação com o tema (eram todos críticos) não havia elemento provocador e, acima de tudo, faltou aos convidados a noção de comunicação com o público. Foram muitos os momentos em que nem se dignaram a olhar para nós ou a preocuparem-se com a voz. Parecia que estavam em casa a discutir a música POP. É perfeitamente legítimo que façam um jantar ou um lanche a falar uns com os outros sobre o que quiserem, mas se "nos convidam", falem para nós.    



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