Além da conversa (animadíssima), os convidados trouxeram amostras do que acham que pode ser o futuro, a partir da música pop que se pode ouvir já hoje. Mais detalhes num post próximo.
Mário Lopes, Nuno Galopim, Pedro Mexia, João Lisboa, Nuno Costa Santos. Três gerações de críticos musicais que publicam em três jornais diferentes, um moderador e um agente provocador.
Caso tenham acesso (de momento eu não o tenho), peçam às rádios os Tops de Airplays. Garanto-vos que é curioso ver, dentro da temática da música portuguesa, os recordistas de permanência nas playlists das rádios.
Sugiro ainda o link: http://www.virtual-processu.com/ no contexto das novas tecnologias na/da música e da sua divulgação, nomeadamente o podcasting e com perspectivas anti-casulo dos habituais 'defensores da música portuguesa'.
(...) Os Clap Your Hands Say Heah ou os Artic Monkeys formaram-se, deram concertos, colocaram as suas canções à disposição e os seguidores distribuíram-nas na rede como um vírus. De repente, a receita do negócio da música foi superada pela vertigem do melómano que descobre com paixão uma banda com a qual se identifica e quer partilhar essa descoberta. O contexto é alicerçado pelo facto da relação entre multinacionais e consumidores parecer contaminada, com um número significativo de indivíduos a procurar a excitação noutros lados, rejeitando a dieta do costume oferecida pelas corporações ou pelo conservadorismo das rádios.
Comunidades virtuais como o spaces.msn.com, soundclick.com, people-sound.com ou music.download.com limitam-se a reflectir esta ambiência, mas nenhum foi tão longe como MySpace, um espaço de comunicação na rede com dois anos de vida e forte sentido de comunidade. No ano passado foi o terceiro portal mais visitado do mundo, apenas atrás do Yahoo e MSN, segundo a Media Metrix, a empresa de medição de audiências na rede: 11 milhões e 500 mil páginas vistas, superando, por exemplo, o gigante Google.(...)
Excerto do artigo "As estrelas que vêm pela net", assinado por Vítor Belanciano, no Y, suplemento do Público, de 27 de Janeiro deste ano.
Os famosos e os que estão quase."But don't forget the songs that made you cry and the songs that saved your life" The Smiths, Rubber Ring é o descritivo.
«Estou no fundo da loja a tentar arrumar um bocado as coisas, quando ouço uma conversa entre o Barry e um cliente: homem, de meia-idade, a avaliar pela voz, e de modo nenhum um tipo da moda. - Estou à procura de um disco para a minha filha. Para lhe dar nos anos. "I Just Called To Say I Love You". Têm? - Temos, pois - responde o Barry. - Claro que temos. Eu sei que o único single do Stevie Wonder que temos de momento é "Don't Drive Drunk"; temo-lo há séculos e nunca conseguimos ver-nos livre dele, nem por sessenta pence. O que é que ele quer? Vou até lá para ver o que se passa. O Barry está para ali de pé, a sorrir para o homem; o tipo parece estar um bocado embaraçado. - Então podia arranjar-mo? - pergunta ele com um meio sorriso de alívio, como se fosse um rapazinho a quem tivessem lembrado que devia dize "por favor" à última hora. - Não, sinto muito mas não posso. O cliente, mais velho do que me pareceu no início, e que traz um chapéu de lona e uma gabardina bege suja, fica para ali especado; para começar eu nem queria entrar neste buraco diabólico, ainda por cima tratam-me mal, vemo-lo pensar. - Porquê? - Porque é sentimental, pegajoso, só por isso. Acha que isto parece o tipo de loja para vender a trampa do "I Just Called To Say I Love You"? Agora ponha-se a andar e não nos faça perder tempo.»
De Alta Fidelidade, de Nick Hornby, traduzido por Maria Augusta Júdice para a Teorema.
Quarta-feira, dia 29 de Março, o É A CULTURA, ESTÚPIDO! debate um tema que está a marcar a agenda do país: O Futuro da Música Pop. Convidados: Mário Lopes (crítico do Público); Nuno Galopim (crítico do DN); João Lisboa (crítico do Expresso). Pedro Mexia é o moderador e Nuno Costa Santos cumprirá a função de agente provocador.
Com uma resposta para todas as «dúvidas existenciais, questões pertinentes, perguntas impertinentes», a D. Rosa continua, incansável, a sossegar as almas inquietas, geração após geração. De há uns anos para cá, também por e-mail (dona_rosa@hotmail.com).
Ups, parece que alguém se enganou nos cartões. Ao contrário do que anunciámos na coluna do lado e do que o último post indiciava, o tema do próximo É a Cultura, Estúpido! não será «O Futuro do Humor» (lá iremos) mas sim «O Futuro da Música». Mil perdões pelo lapso.
«Houve um estádio indolor de incubação que durou vinte e cinco anos, e depois tive um surto e as pessoas disseram que eu era o supra-sumo.
Mas chamara-lhe humor em vez de sarampo. Os empregados do armazém compraram um tinteiro de prata para o sócio mais velho quando fez cinquenta anos. Apinhámo-nos no gabinete dele para lho dar. Tinham-me escolhido para porta-voz e fiz um pequeno discurso que andava a preparar há uma semana.
Foi um sucesso. Era todo cheio de trocadilhos e epigramas e reviravoltas engraçadas que fizeram vir abaixo a casa, de si bastante sólida, na linha de venda de ferragens por atacado. O Marlowe propriamente dito chegou a sorrir e os empregados aproveitaram a deixa e riram à gargalhada.
A minha reputação como humorista data das nove e meia dessa manhã. Os meus colegas passaram semanas a avivar a chama do meu amor-próprio. Um a um vieram dizer-me que o meu discurso fora incrivelmente bem feito, meu caro, e explicaram-me com todo o cuidado, cada uma das minhas piadas.
A pouco e pouco percebi que se esperava que eu continuasse. Outros podiam bem falar, cheios de bom senso, de negócios e dos tópicos do dia, mas de mim exigia-se uma coisa brincalhona e airosa.
Esperava-se que eu dissesse piadas sobre cerâmica e aligeirasse os granitos com graçolas. Era o segundo contabilista, e se não apresentasse um balancete com uma coisa cómica ao pé das somas ou não encontrasse motivo de riso na factura duns arados, era uma decepção para os outros empregados. Gradualmente, a minha fama espalhou-se, e tornei-me numa personagem castiça. A nossa cidade era suficientemente pequena para que isto fosse possível. O jornal diário citava-me. Eu era indispensável nas reuniões sociais.
Acredito que tivesse uma graça razoável e alguma facilidade na resposta rápida e espontânea. É um dom que cultivei e aperfeiçoei pela prática. E a natureza deste dom era bondosa e cordial, não ia para o sarcasmo nem ofendia os outros. As pessoas começavam a sorrir quando me viam aparecer, e quando chegávamos perto, já eu trazia pronta a palavra que alargava num riso o sorriso delas.»
Início do conto «Confissões de um humorista», de O.Henry, traduzido por Luísa Costa Gomes e publicado na revista Ficções, na edição fora de série dedicada ao humor.
Só quero fazer uma correcção no que me diz respeito:no processo de retirada do Estado, falei da sua retirada das funções económicas, das funções sociais e de algumas funções de soberania na União Europeia.Entre as que restam sublinhei a administração da Justiça.Mas mesmo nestas assiste-se ao recuo do «Estado Acusador».
Se não o disse, podia tê-lo dito: (...)Queria apenas fazer uma correcção. Creio que a última frase e a ideia subjacente se devem a mim e não ao Pedro Mexia. Posso estar enganado, até porque já nem sequer me lembro inteiramente do que disse. Mas parece-me que neste caso foi isso que aconteceu.(...)