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É a cultura, estúpido!

Na última quarta-feira do mês, no Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz.

Relato da última sessão

segunda-feira, fevereiro 27, 2006
Será que tempo em que a economia e os poderes se globalizaram resta à elite política transformar-se no auge de todas as frustrações das pessoas? E será que este é um quadro de crise, na medida em que os políticos não conseguem responder democraticamente a todos os anseios? Foi com esta pergunta a dois tempos que Daniel Oliveira, aqui no papel de moderador, lançou o debate na quinta sessão desta temporada do «É a Cultura, estúpido!», sobre o futuro da política.

Segundo José Medeiros Ferreira, o enfraquecimento geral do poder político tem a ver com a globalização, cujas causas e consequências nos ultrapassam. Há uma depreciação geral do poder político e do poder político democrático, e os próprios estados estão a enfraquecer-se. Para o historiador, as excepções confirmam e dão sentido a esta regra. O Estado começou há pouco a retirar-se da vida económica. O passo seguinte, e o mais temido, é a retirada ao Estado dos poderes soberanos e de intervenção social. Para já, há neste momento uma pressão, exercida através do orçamento, para que o Estado se retire das funções sociais. A tendência é para que se diminua a função do «Estado abusador» (a expressão é de Medeiros Ferreira), retirando-se da intervenção económica, da intervenção social e da intervenção soberana a nível nacional. Contextualizando rapidamente, o professor explica que depois do 25 de Abril e até 1976, os protagonistas da sociedade portuguesa eram os políticos; entre 1983 e 1990, os protagonistas são os empresários, máquina exportadora. Mais tarde, a partir da privatização dos meios de comunicação social, e depois a partir da moeda única, Portugal torna-se uma sociedade de financeiros e jornalistas. É daqui que podemos pensar o futuro.

Luciano Amaral, também historiador, encontra na pergunta de Daniel Oliveira uma perspectiva cataclísmica da globalização, em que não acredita. Para Luciano Amaral, a história demonstra a capacidade de intervenção do Estado noutros domínios da sociedade que não a política. Reformulando a pergunta, o moderador questiona se é possível ao poder político de hoje corresponder àquilo que as pessoas se habituaram a esperar, e o convidado mais à direita responde que por um lado, as sociedades com um Estado–providência, e mesmo os Estados Unidos (entendidos como uma social democracia em tom menor e não como sociedade de capitalismo selvagem), são sociedades mistas de intervenção do Estado. Por outro lado, há esferas da vida das sociedades que escapam à presença do poder político. De acordo com Luciano Amaral, não há propriamente grande drama em algumas soluções escaparem ao poder político. Por exemplo, acrescenta, «historicamente, os países sempre estiveram sujeitos a forças internacionais»; a monarquia, a Igreja, são instituições internacionais, redes. Pode haver um papel para a política e esse papel é não se assustar e intervir no sentido de moderar as forças que intervêm numa sociedade e que podem ter consequências dramáticas.

Provocado pelo agente Pedro Mexia, que o aponta como um defensor do desmantelamento do Estado Social, Luciano explica que o que propôs seriam formas de diminuir algumas funções do Estado, no sentido de se encontrarem formas complementares. É essa a perspectiva de um ponto de partida liberal e é por isso que acha que deve haver um espaço maior nas nossas sociedades para relações económicas e sociais, não lideradas pelo Estado. O Estado, numa perspectiva liberal, é essencial em certas funções: a fiscalidade, a lei e a defesa são limites essenciais para a existência, para que o mundo não mediado pelo Estado seja favorável para a maior parte das pessoas. O Estado não existe para realizar os sonhos de toda a gente, oferece uma determinada solução de prosperidade, de igualdade (perante a lei). É preciso é criar comunidades funcionais com elementos de justiça e de liberdade, comunidades fortes, duráveis no tempo.

Pedro Mexia recorda que Luciano Amaral é defensor de um «Estado Guarda-Nocturno», que garanta a segurança de todos durante o sono. Ora, em Lisboa já não se vêem guardas-nocturnos... Para Luciano Amaral, isso é um problema: há núcleos de funções que o Estado não deve perder e uma delas é precisamente a de guarda-nocturno. As funções de guarda-nocturno têm que ser fortes para atrair o investimento estrangeiro; aliás, segundo Luciano Amaral, uma das coisas que inibe o investimento estrangeiro no nosso país é o sistema de justiça, altamente disfuncional em Portugal.

Provocando depois Medeiros Ferreira, pergunta-lhe Pedro Mexia se vivemos não no tempo das conquistas de Abril, mas das conquistas de pós-Abril, de que a esquerda de governo, o PS, é também responsável. O historiador (e actor da História) explica que os alicerces da comunidade portuguesa depois de 25 de Abril eram os alicerces políticos, já não eram a História, a religião, o território. Para fundar uma nova comunidade foi preciso fazê-lo através das normativas políticas da constituição. Medeiros Ferreira esteve na Assembleia Constituinte em 1976 e defendeu uma nova constituição em 1979. Acredita que a revisão constitucional não deve acontecer por fases, orientado pelo princípio maquiavélico de que o mal deve fazer-se de uma vez só. É defensor de uma nova constituição, em vez de negociações para uma revisão constitucional que acabam por degradar o texto fundamental.

Daniel Oliveira relançou o debate e colocou uma nova e longa questão. «Partindo do princípio de que nos últimos anos os poderes do Estado se vêm reduzindo ao monopólio da violência da repressão e da ordem, o Estado parece deixar discursos sobre a organização social para assumir um discurso sobre a organização dos indivíduos (e isto passa-se à esquerda e à direita).» O retrato que se fez até aqui no Jardim de Inverno, mostra que o Estado se vai retirando, mas não é isso que se vê na realidade concreta.

Luciano Amaral acredita que houve uma democratização de meios e modos de vida, nos últimos anos em Portugal. E relembra que, quando Medeiros Ferreira fez a revisão constitucional, em 1976, ainda existia a URSS e que hoje não existe alternativa ideológica que se considere válida. Talvez por via do desaparecimento do mundo socialista tal como existia materializado naquelas sociedades, haja uma retracção de um certo debate político.

Pedro Mexia contrapõe o movimento de repolitização pós-11 de Setembro e o que isso trouxe de artificialização do debate «mundo europeu vs. mundo americano». Já Medeiros Ferreira encontra dois factores de rigidez do nosso mercado de trabalho que a globalização tenta desfazer: o facto de todos os portugueses quererem uma casa, o que cria para as sociedades liberais um problema porque é difícil deslocar as pessoas. O outro factor de rigidez do mercado de trabalho: a família, no sentido clássico. Hoje em dia, a reestruturação do conceito de família dá a ver o lado contratual da relação e justifica o descentramento do debate. Por outro lado, acrescenta, a fluidez das sociedades que a globalização implica leva a que não haja ninguém que não tenha visto dois homens ou duas mulheres a beijarem-se, pelo menos na televisão.

Embora lamentando não se ter discutido a imigração, essencial para o futuro da ideia de cidadão nacional, o adiantado da hora obrigou Daniel Oliveira a formular a última questão. «O ritmo da comunicação social é hoje o ritmo da televisão, o ritmo da televisão marca o ritmo do debate político: a frustração não se torna inevitável por o ritmo das decisões não ser o que as pessoas querem?»

Medeiros Ferreira considera que os financeiros e os jornalistas são os protagonistas de agora, o que faz emergir o problema do ritmo da decisão, há um enfraquecimento motivado pela necessidade da rapidez de resposta. No entanto, prevê que os protagonistas políticos mudem a breve trecho. Entram neste campo três géneros diferentes de pessoa: as mulheres (não sendo o poder político o principal poder, os homens que estão no início das carreiras vão desviar o seu centro de actividades da política para actividades empresariais), os reformados (mais qualificados e mais livres, representam o contrário das juventudes partidárias), e os jovens (que já se começam a ver). No entanto, ressalva o historiador, «se houver uma guerra tudo isto muda».

Luciano Amaral prefere não dramatizar a questão da agenda política. Preocupa-o, sim, a capacidade que as democracias têm ou não de lidar com as fraquezas. Quase no fim, Pedro Mexia aponta um dos problemas clássicos da democracia: a incapacidade de afirmar intransigentemente os seus valores. As democracias têm demonstrado meios para ultrapassar dificuldades que se colocam, mas desde a democracia ateniense que tem havido colapsos. «Resta-nos esperar», remata Pedro Mexia, «que as forças que minam a democracia não sejam suficientemente fortes».

[Margarida Ferra]

Pouca luz e debate aceso

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Daniel Oliveira e José Medeiros Ferreira


José Medeiros Ferreira e Luciano Amaral

Imagens obtidas a partir de fotografias gentilmente cedidas por José Carlos Abrantes

Convidado #2

terça-feira, fevereiro 21, 2006
Luciano Amaral
Licenciado e Mestre em História pela Universidade Nova de Lisboa.
Doutorado em História e Civilização pela European University Institute (Florença).
Professor na Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa.
Escreve uma crónica semanal no Diário de Notícias e posts no blogue O Acidental.

Convidado #1

segunda-feira, fevereiro 20, 2006
José Medeiros Ferreira
Nasceu na Madeira a 20 de Fevereiro de 1942, embora se considere micaelense.
Docente na Universidade Nova de Lisboa.
Doutorado em História Institucional e Política.
Deputado do Partido Socialista pelo círculo eleitoral dos Açores.
Escreve uma crónica semanal no Diário de Notícias e posts no blogue Bichos Carpinteiros.

Press Release

sábado, fevereiro 18, 2006
Na próxima quarta-feira, dia 22 de Fevereiro, pelas 18h30, no Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz, o “É a Cultura, Estúpido!” vai discutir O Futuro da Política.
Para discutir esta questão, estarão presentes na mesa os Historiadores Luciano Amaral e Medeiros Ferreira.
A conversa será moderada por Daniel Oliveira e Pedro Mexia desempenhará a função de "agente provocador".

Sobre a blogosfera

sexta-feira, fevereiro 17, 2006
Blogues políticos em Portugal: O dispositivo criou novos actores?

Artigo 31

quinta-feira, fevereiro 16, 2006
Todo o ser humano tem o direito de não considerar nada sagrado.

1. Nada é sagrado. Nenhuma ideia, nenhuma opinião, nenhuma crença deve ser poupada à crítica, à derisão, ao rídiculo, ao humor, à paródia, à caricatura, à contrafacção. «Repeti-lo-ei em todos os tons, escrevia já Georges Bataille, o mundo só é habitável na condição de nada nele ser respeitado».

(...)

2. A fruição anula o sagrado.


Da Declaração Universal dos Direitos do Ser Humano, de Raoul Vaneigem, editada pela Antígona em 2003, traduzido por Luis Leitão.

Artigo 10 b 3

quarta-feira, fevereiro 15, 2006
Todo o ser humano tem o direito de substituir os governos estatais por uma federação mundial de pequenas colectividades locais em que a qualidade dos indivíduos garanta a humanidade das sociedades.

1. A desumanidade não se discute, recusa-se. Nenhuma maioria tem o poder de impor os decretos da barbárie. A escolha humana de uma só pessoa tem mais peso do que a desumana decisão de muitos. A qualidade de vida revoga a ditadura do número e do quantitativo.

Da Declaração Universal dos Direitos do Ser Humano, de Raoul Vaneigem, editada pela Antígona em 2003, traduzido por Luis Leitão.

Cartoon

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Picado aqui.

Futuro, homens, mulheres e crianças

segunda-feira, fevereiro 13, 2006
(...) A outra grande mudança é a continuada feminização da vida política, tanto a nível doméstico como internacional. Há abundante evidência de que as mulheres abordam a política e, em particular, a política internacional, de forma muito diferente do modo como os homens o fazem. Nos Estados Unidos, as mulheres têm, em geral, sido consistentes na sua recusa ao apoio à intervenção militar, aos gastos na defesa e à competição pelo poder, em geral, na esfera internacional, por uma percentagem de nove a dez pontos, pelo menos desde que este tipo de sondagem começou a ser feito.

Além disso, com a alteração demográfica geral, as populações estão a envelhecer. Daqui a cinquenta anos, os países do mundo desenvolvido terão populações com idades medianas na ordem dos cinquenta. A combinação do maior impacto das mulheres no sistema político com a alteração da idade mediana, a deslocar-se para cima, irá conduzir a um tipo de política muito diferente. Admitamos, a maior parte da confusão no mundo é provocada por homens jovens, ou então por gente do tipo Saddam Hussein que pretende conduzir os jovens (homens) a entrarem em vários tipos de aventura.


Sem dúvida, as sociedades na Europa, na América do Norte e no Nordeste Asiático estão a afastar-se rapidamente de políticas que envolvam intervenções militares, gastos na defesa e competição pelo poder. Penso que isto é bom para a democracia, porque uma das coisas que a democracia implica é uma participação feminina no processo político, em termos de plena igualdade. Mas penso que, em resultado disso, a própria natureza da política irá mudar.

De «A Política das Mulheres», de Francis Fukuyama, in Previsões - 30 grandes mestres pensam o futuro, coordenado por Sian Griffiths, traduzido por Susana Serras Pereira e editado pela Difel, em 2001

Sobre um governo iluminado

sexta-feira, fevereiro 10, 2006
Os ministros eram tantos que nas reuniões gerais era necessário contratar um daqueles funcionários dos cinemas cuja função é levar o espectador até ao seu lugar marcado.

Como o conselho de ministros, por tradição secular - tal como os filmes - decorria às escuras, o funcionário com a sua lanterna era (literalmente) o único que via algo à sua frente.


Cada ministro chegava e o funcionário conduzia-o, sempre guiado pela lanterninha, através de várias filas, até ao seu lugar no conselho de ministros.


- Nesta fila, a terceira cadeira a partir de lá.


Pedindo desculpa aos outros ministros, o recém-chegado lá ia, mais pisadela menos pisadela, para o seu lugar.


Mal o homem da lanterna saía, a sala ficava absolutamente sem luz; e transformara-se por isso num acto normal o Chefe dizer, de imediato, acalmando com a voz os seus companheiros:


- Estou aqui, estou aqui!


Depois de, pelo som, localizarem o Chefe, a reunião começava.


O Senhor Kraus, de Gonçalo M. Tavares, Caminho, 2005

Cartoon

quarta-feira, fevereiro 08, 2006


© Copyright 2003 Best of Latin America All rigts reserved (Retirado daqui.)

Diálogo (um dia antes das eleições)

terça-feira, fevereiro 07, 2006
- Essa coisa de ganhar balanço levando o voto a todos os espaços e a todos os momentos.
- Estamos no século da democracia: a população deve ter voz sobre todas as coisas.
- Até aqueles cuja voz...
- Até esses.
- Portanto: a população decidia tudo.
- Falava, por exemplo, de um jogo de futebol.
- Jogo que não passa de uma ditadura dos jogadores.
- O que propõe então é...
- Vou repetir: que a decisão seja dos espectadores do jogo, não dos jogadores.
- Muito bem.
- Em vez de 22 jogadores mais um árbrito decidirem, seriam 30 000 espectadores a fazê-lo. Por voto. É uma grande diferença. É só fazer as contas.
- Só valeriam os votos dos espectadores no Estádio?
- Sim.
- É justo.
- E uma excelente maneira de levar as pessoas a ver o jogo. Iriam decidir mesmo o resultado. Valeria a pena a deslocação. Não me parece justo deixar algo tão importante - como o resultado de um jogo - apenas nas mãos (ou nos pés) de menos de uma dúzia de cidadãos.
- Neste caso designados como: jogadores de futebol.
- Exactamente.
- O resultado dos jogos seria então determinado não por habilidades momentâneas, mas por decisões reflectidas da população.
- Parece-me justo, estamos no século do cérebro e do voto.
...
- Um jogo de futebol decidido pelos votos da população (dos espectadores em particular) e não pelos golos dos jogadores! São alterações como esta que transformam um país pouco desenvolvido num país avançado.
- São.
- Em vez de decisões com o próprio joelho, em vez de decisões deste tipo, musculares, físicas, não cerebrais e não democráticas, passar para decisões alargadas.
- Cada jogo de futebol seria assim uma espécie de referendo.
- Sim, mas atenção: primeiro teria de se jogar.
- Os jogos fazem falta.
- As decisões seriam depois do jogo - e os indivíduos sérios iriam decidir-se pela vitória de uma ou de outra equipa, independentemente dos golos, e não influenciados por paixões que pudessem existir antes, mas sim após uma reflexão lógica sobre o que aconteceu.
- Manter um jogo apaixonante já não é digno de um século onde a racionalidade exige outro tratamento dos acontecimentos.
- Exacto.
- Racionalidade e democracia, importância da opinião e do voto de cada cidadão: eis o futebol do próximo século.
- É justo.
- Quanto às eleições para decidir quem governa o país?
- Ah, sobre isso a minha opinião é que se deveria fazer um jogo de futebol à antiga: cada Partido escolhia onze jogadores e a equipa que marcasse mais golos ia para o governo.
- Parece-me sensato e racional.
- Digno deste século.
- Sim. Dignp deste século


O Senhor Kraus, de Gonçalo M. Tavares, Caminho, 2005

Política e terror nas cidades modernas

No Shinning de Kubrick, que representa o labirinto com os corredores infindáveis de um velho hotel, temos a convivência com o mal, com o minotauro que, afinal, tem uma forma humana, estando inteiramente à solta. Ao não haver exterior, nada de fora que nos salve, a atmosfera torna-se de terror, exigindo a máxima coragem no máximo medo, tornando-se estranho o que nos é mais familiar - a família. Daí o grito angustiado de Maupassant, «J'ai peur de moi».

Este grito é o sinal do retorno do terror, que hoje vagueia à solta nas cidades modernas. É com esta situação paradoxal que se defronta a razão política, hoje, procurando respostas no trabalho do medo das máquinas de «isolamento óptico». Mas tal razão política será sempre insuficiente se não compreender a sua implicação com o terror, que deve sempre ser contido por um trabalho permanente. (...) O outro é a diferença em relação a nós, é o que nos dá a força fora de nós, mas que, também, enquanto terror puro, pode ser a nossa negação total e absoluta - é o momento em que o terror sai do labirinto humano em que o procuramos conter, e se apresenta nu diante de nós.


José Bragança de Miranda, «Política e Modernidade - linguagem e violência na cultura contemporânea», Edições Colibri, Março de 1997

Cartoon

segunda-feira, fevereiro 06, 2006


Technology Abducts Politics, de Andy Singer
Politicalcartoons.com, 16 de Novembro 2005

Pedido nos comentários

domingo, fevereiro 05, 2006
Gostaria que desenvolvessem a seguinte ideia: "Não será o oportunismo uma previsibilidade do político?"

António Morais

Esquerda? Direita?

sexta-feira, fevereiro 03, 2006
Faça o teste e descubra as suas coordenadas ideológicas, hoje.

Ecos (tardios) na blogosfera

Ele foi ao "É a cultura, estúpido!"

Próximo futuro

quarta-feira, fevereiro 01, 2006
A sessão de Fevereiro do "É a cultura, estúpido!" será sobre o futuro da política. Até lá, recebemos linques, ideias e comentários (na caixa aqui em baixo ou em eacultura@yahoo.com)e publicamos aqui no blogue.

Produções on-line

Agora quando postarmos aqui os press releases já podemos lincar a casa-mãe.