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É a cultura, estúpido!

Na última quarta-feira do mês, no Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz.

Relato da última sessão

Isabel Leal, na mesa do "É a cultura, estúpido!" na qualidade de psicóloga, anda há muitos anos a ouvir pessoas a falar dos afectos e sente alterações nos discursos e no modo como vamos amando. O que mudou então? Para a psicoterapeuta foram essencialmente quatro coisas. A primeira: a assunção de que o amor é efémero (para além do período de três meses a três anos, em que estão apaixonadas, as pessoas sabem que o amor não dura para sempre). Ligada à primeira, a segunda alteração: a importância do Outro nas nossas vidas tende a decrescer. A terceira mudança tem a ver com a etiqueta: há uns anos atrás a palavra amor era um guarda-chuva enorme debaixo do qual cabia tudo, hoje as pessoas esmiuçam diferentes tipos de amor, querem perceber as diferentes nuances das várias maneiras como nos vinculamos, estão mais interessadas em perceber qual é a natureza do vínculo naquele momento. Quarta e última grande novidade nos nossos dias: o modo como nos vinculamos a outras gerações: pais e filhos, a relação entre pais e filhos. Aqui há uns tempos chamamos-lhe família, Isabel Leal diz que esta morreu como a conhecíamos, agora é outra coisa qualquer. O que é importante é a parentalidade.

Para Miguel Vale de Almeida (é antropólogo, activista LGBT, e investiga, entre outros temas, questões relacionadas com o Género, a Sexualidade e o Corpo), discutir o futuro é uma forma de comentar o presente. E em relação à família o debate é feito agora com um sentido de urgência porque as pessoas vêem surgir formas diferentes das que viam ontem. E estão expostas de outra forma à avaliação.

As nossas famílias são muito diferentes das de há 50 anos. É muito claro para Anabela Mota Ribeiro que a família era (e já não é) uma célula constante que assenta na procriação, continuidade e conforto. Talvez por isso, lançou a questão: podemos agora dar-nos ao luxo de nos concentrarmos na natureza da relação? Miguel Vale de Almeida responde que a família é uma organização feita a partir de fora, que controlamos mais as relações a dois se formos descobrir denominadores comuns nas relações. E que denominador comum? Um contrato moral, social e ético que diz que a relação vale em si (“pura relação”, como lhe chama Giddens) e é baseada no mútuo consentimento informado (está tudo aqui muito bem explicadinho). Acrescenta um sinal dos tempos: as pessoas têm um discurso e um conhecimento sobre a relação, as pessoas entendem-se sobre isso, “queria ter uma relação”, “a minha relação não está bem”, ouvimos na mesa do café ao lado da nossa, e até para o sexo usamos o termo “relações”. Aquilo que para um antropólogo é um termo técnico ganhou um sentido de rua. Há uma atenção individual muito forte à ideia de relação. No entanto, isto só é possível hoje e aqui (no mundo Ocidental, onde existem as ideias de individuo e de cidadão).

Haverá um dia em que os nossos vínculos podem escapar dos poderes, preconiza Isabel Leal. A igualdade de género, por exemplo, não é ainda um facto per si, é uma tendência. Toda a história do mundo nos diz que os poderes sempre arranjaram maneira de interferir na nossa sexualidade e afectos. Só quando nos libertarmos da angústia e dos poderes, vão emergir as verdadeiras razões porque nos vinculamos. Agora, vinculamo-nos porque não temos alternativa, porque no quotidiano não dá jeito nenhum ser sozinho.

Nuno Artur Silva acredita que uma relação é uma coisa mental, acontece na nossa cabeça. Como tudo se passa na cabeça de cada um, a relação que temos não é com o outro, mas com a imagem que fazemos do outro. E na nossa cabeça há sempre outras relações. O problema da traição fica desde logo arrumado. Ou em cima da mesa... Sobre a mesa também, o sexo, incontornável. Num fio paralelo, durante todo o debate, esteve sempre presente. Para Nuno Artur Silva este sexo de que falamos quando falamos das relações é uma ficção dentro de outra ficção, capaz de nos trazer a felicidade. A questão não é tanto as pessoas sentirem falta do sexo, mas a maneira como o sexo está inscrito numa ficção. Não se trata do sexo pelo sexo, para isso bastavam-nos as máquinas. Assim, resta-nos a imprevisibilidade. Ainda assim, se a nossa relação com personagens de livros é mais intensa do que com as pessoas, a nossa relação com parceiros virtuais pode ser mais interessante do que o real.

Diz Isabel Leal que os seres humanos têm duas dimensões controláveis: a agressividade (exercemos uma violência moderada com as crianças para elas não serem violentas) e a sexualidade. Para sermos seres culturais temos que controlar a agressividade e a sexualidade. A psicóloga não percebe o porquê desta obsessão com a sexualidade e espera pelo dia em que a sexualidade não seja um problema central nas nossas vidas. Também o antropólogo se pergunta como é que construímos esta centralidade do sexo, aí colocado por todos, do comércio à academia. Não é que ponha em causa a importância da fruição sexual, mas questiona a orientação das relações em função da sexualidade perfeita. A sensação de laço com alguém, aquilo a que chamamos amor, devia ser o principal e tudo o resto devia vir por acréscimo. Mas normalmente as histórias começam pelo lado do desejo, correndo assim o risco de nunca resultarem. Nuno Artur concorda que é assim que tudo começa, acha que quando conhecemos uma pessoa pensamos “isto vai ser ou não amizade?” e o que faz a diferença é “vamos ou não ter sexo”. Isabel Leal é que não vê esta bifurcação com tanta clareza, não concorda, diz-lhe a experiência dos muitos que a consultam que podemos dormir com as pessoas e continuar amigos como dantes. Com esta afirmação o agente provocador diverge de novo, ao considerar que não é possível ir fazendo sexo de vez em quando durante muito tempo. Nuno Artur constata que andamos todos à procura de aventura e acabamos todos na pastelaria, como diz O’Neill, e, acrescenta: “com os sacos do supermercado, a decidir quem é que faz o jantar”. É aqui que Anabela Mota Ribeiro introduz a questão da conjugalidade, perguntando se é ela que mata a aventura, destrói o romance.

Quanto ao futuro das relações importa a Miguel Vale de Almeida perceber como é que um eu constrói uma relação com os outros que não tenha que ser mediada por uma estrutura anónima, o Estado. De que formas é que se pode tornar uma relação real, sentida. A ideia de care é talvez o importante nas relações entre as pessoas, pessoas que vivem juntas, como amigos e também no exercício da parentalidade. A parentalidade é uma realidade em que a ética mínima não se aplica, não pode haver mútuo consentimento com as crianças. Não se lhes pode perguntar se querem ou não viver com aquelas pessoas. Miguel Vale de Almeida prevê que o que vai acontecer nas relações de parentalidade é uma maior colectivização, um maior poder de intervenção das pessoas em situações particulares. Quanto às outras relações, acha que a tendência é para se procurar perceber melhor a natureza da ligação que temos aos outros. E, acredita, daqui a 50 anos já não estaremos contaminados pela ideia de casal hetero e provavelmente desaparecerá também a ideia de orientação, que vem da ideia de género. Isabel Leal acha que somos herdeiros de modelos monolíticos que nos antecederam. Isso sente-se no modelo de família que temos (castrador para a infância e para quem exerce a parentalidade), nas questões de género, nas questões de orientação. Libertar-nos-emos destes modelos asfixiantes num futuro melhor. Era bom que começássemos a trabalhar para isso.

[Margarida Ferra]
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2:18 da manhã

Não consigo encontrar a influência do Estado como regulador das relações, nem consigo prever tantas alterações no futuro, julgo que se assistirá a uma maior diversidade nos tipos de relação, de orientação, de partilha de espaços e papéis, mas não me parece que estejamos a caminhar para um maior controle da sexualidade, paralelemente a um controle da agressividade, porque enquanto esta continua a existir, apenas está a mudar de forma, na primeira as alternativas de forma são mais limitadas, temos o virtual, mas pouco mais.    



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