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É a cultura, estúpido!

Na última quarta-feira do mês, no Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz.

Os únicos seres vivos daquele lado da cidade

«O silêncio do quarto é profundo, nenhum barulho chega agora nem das estradas nem da cidade nem do mar. A noite está a chegar ao fim, em toda a parte límpida e negra, a lua desapareceu. Eles têm medo. Ele ouve, de olhos no chão, aquele silêncio assustador. Diz que são horas de águas imóveis, mas que as águas da maré a subir já estão a reunir-se, que o acontecimento decorre, que vai produzir-se depressa agora e vai passar despercebido àquela hora da noite. Que fica sempre desolado por verificar que acontecimentos com aquele nunca foram vistos.
Ela olha para ele a falar, de olhos muito abertos e escondidos. Ele não a vê, continua de olhos baixos no chão. Ela diz-lhe que feche os olhos, que se torne de certo modo cego, que se recorde dela, do rosto dela.
É o que ele faz. Fecha os olhos com muita força e durante muito tempo, como as crianças. Depois pára. Outra vez, diz:
- Logo que fecho os olhos vejo uma pessoa diferente que não conheço.
Os olhos deles fogem, desviam-se. Ela diz: Estou aqui à sua frente e não me vê, isso assusta. Ele fala depressa para colmatar o medo. Diz que isso também deve estar relacionado com aquela hora da noite, aquela mudança do mar, que até as passagens vão acabar, que eles vão ser os únicos seres vivos daquele lado da cidade. Ela diz que não, não é isso. »

De «Olhos Azuis, Cabelo Preto», de Margarite Duras, tradução de Tereza Coelho, Difel, 1986
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