<body><script type="text/javascript"> function setAttributeOnload(object, attribute, val) { if(window.addEventListener) { window.addEventListener('load', function(){ object[attribute] = val; }, false); } else { window.attachEvent('onload', function(){ object[attribute] = val; }); } } </script> <div id="navbar-iframe-container"></div> <script type="text/javascript" src="https://apis.google.com/js/plusone.js"></script> <script type="text/javascript"> gapi.load("gapi.iframes:gapi.iframes.style.bubble", function() { if (gapi.iframes && gapi.iframes.getContext) { gapi.iframes.getContext().openChild({ url: 'https://www.blogger.com/navbar.g?targetBlogID\x3d17995268\x26blogName\x3d%C3%89+a+cultura,+est%C3%BApido!\x26publishMode\x3dPUBLISH_MODE_BLOGSPOT\x26navbarType\x3dBLUE\x26layoutType\x3dCLASSIC\x26searchRoot\x3dhttp://cultura-estupido.blogspot.com/search\x26blogLocale\x3dpt_PT\x26v\x3d2\x26homepageUrl\x3dhttp://cultura-estupido.blogspot.com/\x26vt\x3d-8193206143390702217', where: document.getElementById("navbar-iframe-container"), id: "navbar-iframe" }); } }); </script>

É a cultura, estúpido!

Na última quarta-feira do mês, no Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz.

Amar o amor

ANULAÇÃO. Sopro de linguagem durante o qual o sujeito acaba por anular o objecto amado sob o volume do próprio amor: por uma perversão especificamente apaixonada, é o amor quem o sujeito ama, não o objecto.

1. Carlota é bastante insípida; é o personagem fraco de uma representação forte, torturada, ofuscante, realizada pelo sujeito Werther; por uma graciosa decisão deste sujeito, um rídiculo objecto é colocado no centro do palco e aí é adorado, incensado, olhado à parte, coberto de discursos, de orações (e, talvez, secretamente, de invectivas); dir-se-ia uma pomba inchada, imóvel, atafulhada na sua plumagem, à volta da qual gira um macho um pouco louco. Basta que, num relance, eu veja o outro como uma espécie de objecto inerte, empalhado, para que transfira omeu desejo deste objecto amado para o meu próprio desejo; é o meu desejo que desejo e o ser amado não é mais do que seu subordinado. Exalta-me o pensamento de uma tarefa tão grande que deixa longe e para trás a pessoa que me serviu de pretexto (é pelo menos isto que digo a mim próprio, feliz por me elevar ao rebaixar o outro): sacrifico a imagem ao Imaginário. E se chegar o dia em que tiver que renunciar ao outro, o luto violento que então de mim se apoderar é o luto do próprio Imaginário: era uma estrutura querida e choro a perda do amor, não a deste ou daquele. (Quero lá voltar, como a sequestrada de Poitiers ao seu grande vale de Malempia.)

2. Eis portanto o outro anulado face ao amor: desta anulação retiro um lucro certo; sempre que um mal acidental me ameaça (uma ideia de ciúme, por exemplo), observo-o na magnificiência e abstracção do sentimento de amor: tranquiliza-me desejar o que, estando ausente, não me pode mais fazer mal. Imediatamente, no entanto, sofro por ver o outro (que amo) assim diminuído, reduzido e como que exluído do sentimento que suscitou. Sinto-me culpado e censuro-me por tê-lo abandonado. Dá-se uma reviravolta: procuro acabar com tal anulação, obrigo-me a sofrer de novo.


Roland Barthes, Fragmentos de um Discurso Amoroso, traduzido por Isabel Pascoal, Edições 70, a edição original é de 1977.
« Home | Next »
| Next »
| Next »
| Next »
| Next »
| Next »
| Next »
| Next »
| Next »
| Next »

» Enviar um comentário