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É a cultura, estúpido!

Na última quarta-feira do mês, no Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz.

E agora uma coisa ligeiramente diferente (2)


5. Nesta fase de transição, se existem oportunidades aliciantes para o sector do livro, não se pode contudo deixar de referir alguns pontos que constituem riscos potenciais para a edição ou para o leitor, certamente mais para este, e que nalguns casos tendem a romper um equilíbrio de poderes sabiamente sedimentado ao longo da história do livro entre os consumidores individuais e as casas editoras. Uma boa parte deles tem a ver com o facto de a publicações electrónicas exigirem uma mediação tecnológica que é basicamente estranha ao mundo do livro. Na verdade, em todos os suportes históricos da escrita o leitor pode aceder visualmente ao texto sem qualquer outro procedimento. Em contrapartida, a leitura em écrã é tributária de duas condições indispensáveis: a) Por um lado, é necessário um dispositivo técnico que permita transformar os dados ilegíveis registados na matéria memória num texto legível num écrã. b) Por outro, uma fonte de energia para alimentar esse dispositivo. Ou seja, sem energia e sem dispositivo técnico apropriado a escrita informática não existe ou, no máximo, pode ser considerada como invisível.

Diversos autores (e com particular ênfase Roger Chartier) têm manifestado alguma preocupação com o desaparecimento dos critérios antigos que permitiam distinguir, classificar e hierarquizar os discursos. Como no mundo digital todos os textos são dados a ler num mesmo suporte (o écrã de um computador) e nas mesmas formas, cria-se um continuum que já não diferencia os diversos géneros ou repertórios textuais, doravante semelhantes na sua aparência e equivalentes na sua autoridade. Esta situação ocasiona efeitos nada despiciendos sobre a propria noção de «livro» tal como ainda o entendemos, ou seja, como um objecto específico, diferente dos outros suportes de escrita e como unidades textuais dotados de uma identidade própria. Assim, perante a força homogeneizante do dispositivo de recepção é indispensável a capacidade de saber «qualificar» os textos enquanto produções culturais, sob pena de lidarmos com uma matéria informacional indistinta.

Por outro lado, se a Internet aparece como uma espécie de utopia realizada, essa maior liberdade conferida ao indivíduo, que nela pode difundir os textos que entender, tem como contrapartida uma grande precaridade institucional. A Internet escapa aos mecanismos e dispositivos tradicionais de institucionalização dos textos pois torna-se difícil garantir a autoridade, e mesmo a autenticidade, do que aparece na Web.

Por fim, verifica-se uma ligação evidente entre a crescente convergência de formas diversificadas, não só textuais, e a importância que o fragmento tem vindo a assumir em termos epistemológicos, sociais e da economia da edição. O que se deve, nos termos de Chartier, ao esboroar dessa ligação tradicional, estrita e absoluta, entre livro e obra. Da perspectiva da economia da edição, este novo modelo tem os seus aliciantes óbvios. Em termos empresariais é quase irresistível vender já não livros mas fragmentos. A ideia passa pelo facto de praticamente todos os editores terem direitos sobre muitos livros que, se desintegrados, contêm fragmentos que encontrarão um mercado à medida que se difundirem as práticas de distribuição digital e as capacidades de impressão a pedido. Verifica-se pois uma atomização crescente dos interesses em matéria de conteúdos e das publicações daí resultantes, o que se deve ao entrechocar de várias forças: o crescente interesse pela criação e distribuição conteúdo, a nível formal e informal; a disponibilização de tecnologias que permitem a edição a nível individual e social; uma progressiva mercantilização do conteúdo; e a aceitação cada vez mais fácil de informação oriunda de fontes «não fidedignas».



Continua...
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