<body><script type="text/javascript"> function setAttributeOnload(object, attribute, val) { if(window.addEventListener) { window.addEventListener('load', function(){ object[attribute] = val; }, false); } else { window.attachEvent('onload', function(){ object[attribute] = val; }); } } </script> <div id="navbar-iframe-container"></div> <script type="text/javascript" src="https://apis.google.com/js/plusone.js"></script> <script type="text/javascript"> gapi.load("gapi.iframes:gapi.iframes.style.bubble", function() { if (gapi.iframes && gapi.iframes.getContext) { gapi.iframes.getContext().openChild({ url: 'https://www.blogger.com/navbar.g?targetBlogID\x3d17995268\x26blogName\x3d%C3%89+a+cultura,+est%C3%BApido!\x26publishMode\x3dPUBLISH_MODE_BLOGSPOT\x26navbarType\x3dBLUE\x26layoutType\x3dCLASSIC\x26searchRoot\x3dhttp://cultura-estupido.blogspot.com/search\x26blogLocale\x3dpt_PT\x26v\x3d2\x26homepageUrl\x3dhttp://cultura-estupido.blogspot.com/\x26vt\x3d-8193206143390702217', where: document.getElementById("navbar-iframe-container"), id: "navbar-iframe" }); } }); </script>

É a cultura, estúpido!

Na última quarta-feira do mês, no Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz.

E agora uma coisa ligeiramente diferente

Conforme o prometido, vamos publicando, à laia de folhetim, o contributo de José Afonso Furtado na última sessão sobre o futuro de Fernando Pessoa, a poesia e a literatura.

E agora para uma coisa ligeiramente diferente...

1. O mundo do livro está a mudar ao mesmo tempo que muda o mundo à nossa volta.
Nos anos mais recentes, temos assistido a uma progressiva digitalização dos produtos de uma cultura do analógico e do impresso; documentos antigos são lidos em suporte óptico e novos materiais muitas vezes já só existem como texto electrónico. Os editores publicam livros electrónicos enquanto a indústria informática desenvolve dispositivos portáteis para a sua leitura. Os compradores de livros fazem as suas aquisições através da Internet, as bibliotecas disponibilizam os seus utilizadores versões digitais dos seus fundos e alguns autores utilizam ferramentas hipertextuais na elaboração das suas obras. Desse modo, não só a produção, armazenamento e distribuição da informação se realiza cada vez mais em ambiente digital como assistimos a uma progressiva hegemonia dos écrãs como interface para a difusão de informação e como meio de comunicação.
Não se deve assim estranhar que termos noutros tempos tão bizarros ou mesmo desconhecidos como blogs, e-mail, e-books, Google, text messaging ou hipertexto, façam hoje em dia parte da nossa linguagem quotidiana.

2. As tecnologias digitais afectam a edição e os seus elementos – relação com o consumidor, natureza do produto e o modelo de negócio - de modos diferentes e a velocidades diferentes. Desde logo porque, como refere John B. Thompson, é necessário compreender que a indústria da edição é um domínio enormemente complexo e variado. Existem muitos tipos de edição, diferentes publicações e diferentes mercados, não tendo sentido tratá-los como um todo. Devemos, por isso, proceder a uma desagregação da noção genérica de «indústria da edição de livros». Thompson, na sequência de Pierre Bourdieu, introduz o conceito de «campo editorial»: o mundo da edição de livros pode ser conceptualizado como um conjunto de campos editoriais; cada um destes campos tem as suas características e dinâmicas próprias e a sua história, que difere em determinados aspectos das histórias dos outros campos. Se quisermos compreender o mundo da edição e o modo como se está a transformar, temos que nos concentrar nos diferentes campos e tentar reconstruir as propriedades e dinâmicas específicas de cada um deles. Em segundo lugar, porque os livros estão integrados em contextos sociais diversificados, ao mesmo tempo que a sua utilização está ligada a diferentes instituições e conjuntos de práticas sociais. Os livros não são meros objectos que possam ser subita e automaticamente substituídos por modos tecnologicamente mais eficientes de distribuição de conteúdo, pois estão ligados a formas de vida e a práticas sociais que mudam, quando mudam, lenta e gradualmente. E, por isso, para entendermos como se estão a alterar as relações entre as formas impressas e electrónicas de conteúdo, teremos de tomar atenção não apenas às inovações tecnológicas mas igualmente às formas de vida e às práticas sociais em que esses conteúdos estão embebidos e são utilizados.

3. Para se pensar o modo como a revolução digital pode actuar ao nível da distribuição de conteúdo, é essencial reflectir cuidadosamente sobre a interacção entre tecnologias, mercados e tipos de conteúdo. Ainda segundo Thompson , são essencialmente seis os aspectos em que as novas tecnologias podem acrescentar valor ao conteúdo: 1) facilidade de acessso; 2) possibilidade de actualização rápida, frequente e sem custos elevados; 3) escala, ou seja a capacidade de fornecer acesso a grandes quantidades de material: a economia da Internet é uma economia de escala, oferece a possibilidade de aceder a colecções de material que se caracterizam pela sua extensão e abrangência e uma gama de escolhas e de profundidade que não é compatível com colecções físicas; 4) capacidades de pesquisa no corpus e através de vários corpus; 5) intertextualidade; e, por fim 6) características multimedia.
À luz desta análise, verifica-se que existem certas formas de conteúdo que são mais adequadas ao ambiente digital, seja pelo seu conteúdo ser mais discreto, ter um carácter mais granular e integrar rapidamente as mais-valias funcionais características desse ambiente, seja pelos modos em que esse conteúdo é tipificadamente usado. Ao invés, há outras formas de conteúdo em que se verifica um incerteza efectiva sobre a sua adequação à distribuição e utilização online.

4. Neste mesmo momento, tanto o livro electrónico como a edição digital recorrem em simultâneo a, pelo menos, três estratégias diferentes: em primeiro lugar, a migração de conteúdos. Em termos de avaliação da situação do mercado, é forçoso reconhecer que o que tem predominado é uma translação bastante literal dos livros impressos para uma representação digital, ou seja, são «versões electrónicas», como lhes chama Geoffrey Nunberg . Tratam-se de representações derivadas ou secundárias de livros impressos e publicados ou de textos pensados primariamente para publicação impressa, e que interpretamos ainda no âmbito do paradigma do livro tradicional da cultura tipográfica. O que significa a adopção de um conceito de livro electrónico mais restrito, mais próximo do modelo conceptual do livro impresso, em que a oferta de leitura é maioritariamente textual e que pretende inscrever-se num contrato de «legibilidade visual através das soluções tipográficas adoptadas que mantêm a semelhança dos elementos do peritexto.» São formas textuais que, em transformação é certo, se inserem numa continuidade, isto é, que assentam na ideia de que o conjunto de práticas e de modelos teóricos que constituem a herança de cinco séculos de «cultura do livro» não pode ser esquecida ou abandonada mas pode e deve antes prosseguir a sua própria evolução – seguramente sob formas em parte novas e inesperadas – mesmo na era dos media digitais. Nessa perspectiva, só entendendo as continuidades que unem o texto electrónico aos que o precederam, será possível compreender os seus traços específicos pois, estruturalmente, o texto de rede prolonga as diversas dimensões do texto ligado ao suporte papel, a partir das quais opera diversas transformações. Em segundo lugar, o desenvolvimento de conteúdo digital directamente online, isto é, a publicação de textos electrónicos concebidos para se moverem em suportes electrónicos desde o seu início, que exploram as capacidades específicas do universo digital, ligados à vulgarização de ambientes hipertextuais e que põem em causa algumas das noções tradicionalmente atribuíveis aos textos da cultura do impresso; esta posição tem sido designada como heterogeneidade radical do livro impresso e dos media digitais , e passa desde logo pela rejeição do livro tradicional como metáfora adequada para o design do livro electrónico, pois leva a emulações (erróneas) do antigo medium. Deste ponto de vista, estaríamos a assisitir a uma rotura fundamental entre o texto e o seu suporte e a uma passagem inevitável do livro-objecto para o livro-biblioteca, para o livro interactivo, para o livro em rede, para o livro multimedia, para o hipertexto enfim. Por último, serviços de agregação, que são serviços Web baseados na criação e desenvolvimento de bancos de dados de texto integral contendo livros e documentos em formato electrónico e que disponibilizam títulos digitalizados com base em parcerias com editores com forte posição no mercado do livro impresso. Estes agregadores orientam o seus negócio em geral para bibliotecas e para instituições académicas, científicas e profissionais, utilizando modelos de negócio que vão desde a tradicional forma de subscrição até à emergência de modelos transacionais em que o consumidor paga não pela propriedade de um produto mas pela sua utilização.


Continua...
« Home | Next »
| Next »
| Next »
| Next »
| Next »
| Next »
| Next »
| Next »
| Next »
| Next »

» Enviar um comentário