E agora para uma coisa ligeiramente diferente (4)
Encontramo-nos pois numa encruzilhada. Tecnologia e cultura conjugaram-se para suscitar uma transformação no mundo dos conteúdos. Este novo mundo é abundante e desestruturado e são escassos os mecanismos de contextualização para navegação e para sintetizar a informação.
Assim, se é certo que o surto da edição electrónica tem potencialidades inestimáveis que permitem introduzir novas modalidades para o enquadramento e comunicação do conhecimento, para a sua construção colectiva através do intercâmbio do saber, da especialização e da compreensão, por outro lado a revolução electrónica exige certamente uma extensão das competências tradicionais, pois deparamos-nos com um novo tipo de literacia, que já não se caracteriza apenas pelas competências de ler e escrever, mas pela facilidade de acesso e capacidade de manipulação dos media digitais pelos quais a escrita é agora também transmitida. Torna-se assim indispensável que as pessoas estejam em condições de «combinar as competências da literacia crítica dos media com a tradicional literacia do impressso e com as novas formas da literacia múltipla»[2] para aceder e navegar nos novos ambientes multimedia.
José Afonso Furtado
[1] Brigitte Juanals - «L'écrit et L'écran», Captain-doc, mars 2001. URL: <http://www.captaindoc.com/interviews/interviews08.html.>
[2] Douglas M. Kellner - «Technological Revolution, Multiple Literacies, and the Restructuring of Education». In: Ilana Snyder (ed.) - Silicon Literacies. Communication, Innovation and Education in the Electronic Age.
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