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É a cultura, estúpido!

Na última quarta-feira do mês, no Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz.

Fragmento 118

Que me pesa que ninguém leia o que escrevo? Escrevo-o para me distrair de viver, e publico-o porque o jogo tem essa regra. Se amanhã se perdessem todos os meus escritos, teria pena, mas, creio bem, não com violenta pena e louca como seria de supor, pois que em tudo isso ia toda a minha vida. Não é outra, pois, que a mãe, morto o filho, meses depois estar aí e é a mesma. A grande terra que serve os mortos serviria, menos maternalmente, esses papéis. Tudo não importa e creio bem que houve quem visse a vida sem uma grande paciência para essa criança acordada e com grande desejo do sossego de quando ela, enfim, se tenho ido deitar.

Bernardo Soares, Livro do Desassossego, edição de Richard Zenith, Assírio e Alvim, 1998.
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