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É a cultura, estúpido!

Na última quarta-feira do mês, no Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz.

Pergunta #4

«Na rentrée literária francesa deste ano, houve um livro que causou quase tanta polémica como o romance futurista de Houellebecq. Refiro-me a Acide Sulfurique, da belga Amélie Nothomb. Pelo que tenho lido, a narrativa não vale grande coisa, mas a ideia de partida é interessante. Numa espécie de apoteose grotesca, certa estação de TV decide lançar o mais obsceno dos reality shows. Isto é, a enésima versão do Big Brother, só que tendo um campo de concentração como palco. Os concorrentes passam fome e frio, sofrem a exaustão dos trabalhos forçados, bem como a vigilância de kapos escolhidos pela produtora, e vão sendo eliminados, um a um, pelos telespectadores. Eliminados literalmente, está bom de ver.
É óbvio que o texto de Nothomb é um exagero, um delírio, uma parábola. Mas podemos estar assim tão certos de que uma qualquer Endemol não aproveitará um dia, daqui a 20 ou 30 anos, esta ideia que nos parece agora tão absurda? Qual é o horizonte deste tipo de programas? Haverá um limite para a sede de voyeurismo da nossa sociedade e para a vontade de assistir à humilhação, em directo, de desgraçados em busca de uns quantos minutos de fama?»
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10:00 da tarde

ou uns 30 dinheiros, ou assim...    



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