<body><script type="text/javascript"> function setAttributeOnload(object, attribute, val) { if(window.addEventListener) { window.addEventListener('load', function(){ object[attribute] = val; }, false); } else { window.attachEvent('onload', function(){ object[attribute] = val; }); } } </script> <div id="navbar-iframe-container"></div> <script type="text/javascript" src="https://apis.google.com/js/plusone.js"></script> <script type="text/javascript"> gapi.load("gapi.iframes:gapi.iframes.style.bubble", function() { if (gapi.iframes && gapi.iframes.getContext) { gapi.iframes.getContext().openChild({ url: 'https://www.blogger.com/navbar.g?targetBlogID\x3d17995268\x26blogName\x3d%C3%89+a+cultura,+est%C3%BApido!\x26publishMode\x3dPUBLISH_MODE_BLOGSPOT\x26navbarType\x3dBLUE\x26layoutType\x3dCLASSIC\x26searchRoot\x3dhttp://cultura-estupido.blogspot.com/search\x26blogLocale\x3dpt_PT\x26v\x3d2\x26homepageUrl\x3dhttp://cultura-estupido.blogspot.com/\x26vt\x3d-8193206143390702217', where: document.getElementById("navbar-iframe-container"), id: "navbar-iframe" }); } }); </script>

É a cultura, estúpido!

Na última quarta-feira do mês, no Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz.

Ecos da última sessão - João Lopes

«Algo mudou e muito na televisão dos últimos anos. O problema político de há treze anos é o mesmo de hoje: até que ponto a RTP se consegue afirmar como alternativa aos canais privados. A realidade é que tem havido mimetismo em relação ao modelo ditado pelas televisões privadas e a missão da televisão pública é criar outros modelos, independentes das pressões do mercado.
Eu pertenço a uma geração que viveu a adolescência com uma relação muito diferente com as imagens: o cinema, por exemplo, tinha uma componente de sagrado (quando se via um filme, não se sabia quando se poderia voltar a vê-lo). A relação com o universo das imagens mudou. Há uma proliferação das imagens, mas será que com mais imagens sabemos mais sobre o mundo?
A primeira frase de The End of Violence (Wim Wenders, 1997) é "define violence". É preciso definir televisão generalista, é preciso saber do que falamos quando falamos de televisões generalistas. Trabalhei durante meia dúzia de anos com Alberto Seixas Santos, que coordenava a programação de ficção na RTP. Na época, agendou-se a exibição de O Tubarão para um horário nobre. Anos mais tarde, ao ser retransmitido, o mesmo filme teve início à hora em que terminara quando passou na década de 80. "Televisão generalista" não é um conceito estável. Hoje em dia a televisão generalista caracteriza-se pelo horário nobre e 80 a 90 % deste prime time é preenchido com telenovelas e reality shows. Os impulsos de consumo do nosso tempo excedem o que se passa na televisão, estamos formatados para consumos acidentais e para estímulos rápidos e as questões de natureza económica determinam todas as outras. A arma mais forte dos critérios económicos são as audiências. É uma arma perigosa, quando gerida por economistas e gestores, fazendo dela uma utilização chantagista, que confunde o índice de audiências com o gosto das audiências. A gestão das televisões nos prime times é uma gestão por impulso, feita com base em critérios económicos.
A história da democracia ensinou-nos a ter alguma prudência em relação ao que é quantitivamente maior. Foi em nome da quantificação que se impôs a novela como modelo narrativo dominante da sociedade portuguesa. E quando se faz cultura com telenovela e reality shows, veiculam-se valores culturais muito fortes e de modo sistemático. A cultura começa precisamente onde está a maior quantidade de pessoas.
No Campeonato Europeu de Futebol gastaram-se 645 milhões de euros para construir 10 estádios de futebol. Discute-se muito pouco o que isto significa em termos culturais: à média actual de custos de produção, faziam-se 1000 longas-metragens com este dinheiro. Estão cem anos de cinema português enterrados em cimento em dez estádios de futebol e isto tem um significado cultural incontornável.
A televisão do Estado é uma questão em aberto, sem solução. Para um papel da televisão do Estado como alternativa era preciso uma opção política de fundo. A classe política não se interessa por essas questões e precisa da televisão como tribuna. Era bom saber até que ponto os valores inculcados pela televisão vão ser discutidos na campanha para a Presidência da República. Provavelmente não serão discutidos, o que é mais uma prova de indiferença em relação à vida cultural do país que passa por aí, pela televisão.»
« Home | Next »
| Next »
| Next »
| Next »
| Next »
| Next »
| Next »
| Next »
| Next »
| Next »

» Enviar um comentário