Ecos da última sessão - Emídio Rangel
«A televisão generalista não acabou, nem acabará, porque responde à lei do menor esforço da maioria dos telespectadores. Haverá cada vez mais público para as temáticas, mas a escolha obriga a um espólio informacional e a maior parte dos telespectadores será sempre generalista, esperando o que o programador lhes prepara.Não creio que as televisões generalistas venham a ser um depósito para os excluídos: estes canais têm que ser mesmo generalistas (chegar às classes A e B, C e D) ou então desapareceram. As pessoas preferem que alguém escolha por elas e os canais generalistas têm maior poder de compra dos filmes e formatos, podem oferecer os melhores filmes e melhores formatos. A televisão tal como a conhecemos não acabou.
É indiscutível que a especialização dos canais e a fragmentação dos públicos resulta num enriquecimento cultural: mostram diferentes lugares, diferentes perspectivas, diferentes olhares. É esta fragmentação dos públicos que vai motivar as pessoas para conteúdos que podem chegar via telefone, televisor, computador. A diversidade vai tornar-nos cidadãos melhor informados.
O espectador vê aquilo que quer, é possível saber o que um espectador quer. É fácil ver quando as pessoas rejeitam um programa, para que estação mudam e por que é que mudam. As pessoas vêem coisas idiotas também para opinar sobre, para poderem informar-se. O critério das audiências não é só um critério economicista. Imagine-se um canal sem publicidade: se a RTP não tivesse publicidade e fosse paga pelo Orçamento de Estado, estava ainda obrigada a ter espectadores. Os órgãos de comunicação social dirigem-se a públicos e há objectivos que têm que ser atingidos.»
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