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É a cultura, estúpido!

Na última quarta-feira do mês, no Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz.

Magnetic poetry

segunda-feira, outubro 31, 2005
Faça você mesmo.

Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta

Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,
Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Porque sequer atribuo eu
Beleza às coisas.

Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe
Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então porque digo eu das coisas: são belas?

Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as coisas,
Perante as coisas que simplesmente existem.

Que difícil ser próprio e não ser senão o visível!


Alberto Caeiro

Da Brasileira ao São Luiz, a pé

domingo, outubro 30, 2005


No próximo dia 30 de Novembro, quarta-feira (dia de É a Cultura, Estúpido), passam 70 anos sobre a morte de Fernando Pessoa. Quer isto dizer que os seus poemas e ensaios deixam de estar ao abrigo da lei dos direitos de autor e caem no domínio público. Toda a gente poderá editar os muitos poetas que viveram dentro do poeta.
Além de uma homenagem a Pessoa (cujos contornos explicitaremos mais tarde), o nosso próximo debate tentará perceber de que modo esta democratização do espólio pessoano afectará o culto do escritor e o acesso do público àquela que é uma das obras maiores da cultura portuguesa do século XX. Além disso, reflectiremos sobre o lugar que a literatura (e a poesia) ocuparão nas nossas vidas, num futuro não necessariamente próximo.
Pormenores da sessão (coordenada por José Mário Silva) e os nomes dos convidados serão anunciados oportunamente. Entretanto, publicaremos um poema de Pessoa todos os dias, bem como linques para sites que referem o escritor, curiosidades, imagens e textos de alguns dos membros da equipa residente.
Como sempre, os leitores podem enviar sugestões de perguntas, críticas e colaborações para o nosso e-mail: eacultura@yahoo.com.

Ecos da última sessão - Emídio Rangel

sábado, outubro 29, 2005
«A televisão generalista não acabou, nem acabará, porque responde à lei do menor esforço da maioria dos telespectadores. Haverá cada vez mais público para as temáticas, mas a escolha obriga a um espólio informacional e a maior parte dos telespectadores será sempre generalista, esperando o que o programador lhes prepara.
Não creio que as televisões generalistas venham a ser um depósito para os excluídos: estes canais têm que ser mesmo generalistas (chegar às classes A e B, C e D) ou então desapareceram. As pessoas preferem que alguém escolha por elas e os canais generalistas têm maior poder de compra dos filmes e formatos, podem oferecer os melhores filmes e melhores formatos. A televisão tal como a conhecemos não acabou.
É indiscutível que a especialização dos canais e a fragmentação dos públicos resulta num enriquecimento cultural: mostram diferentes lugares, diferentes perspectivas, diferentes olhares. É esta fragmentação dos públicos que vai motivar as pessoas para conteúdos que podem chegar via telefone, televisor, computador. A diversidade vai tornar-nos cidadãos melhor informados.
O espectador vê aquilo que quer, é possível saber o que um espectador quer. É fácil ver quando as pessoas rejeitam um programa, para que estação mudam e por que é que mudam. As pessoas vêem coisas idiotas também para opinar sobre, para poderem informar-se. O critério das audiências não é só um critério economicista. Imagine-se um canal sem publicidade: se a RTP não tivesse publicidade e fosse paga pelo Orçamento de Estado, estava ainda obrigada a ter espectadores. Os órgãos de comunicação social dirigem-se a públicos e há objectivos que têm que ser atingidos.»

Ecos da última sessão - João Lopes

«Algo mudou e muito na televisão dos últimos anos. O problema político de há treze anos é o mesmo de hoje: até que ponto a RTP se consegue afirmar como alternativa aos canais privados. A realidade é que tem havido mimetismo em relação ao modelo ditado pelas televisões privadas e a missão da televisão pública é criar outros modelos, independentes das pressões do mercado.
Eu pertenço a uma geração que viveu a adolescência com uma relação muito diferente com as imagens: o cinema, por exemplo, tinha uma componente de sagrado (quando se via um filme, não se sabia quando se poderia voltar a vê-lo). A relação com o universo das imagens mudou. Há uma proliferação das imagens, mas será que com mais imagens sabemos mais sobre o mundo?
A primeira frase de The End of Violence (Wim Wenders, 1997) é "define violence". É preciso definir televisão generalista, é preciso saber do que falamos quando falamos de televisões generalistas. Trabalhei durante meia dúzia de anos com Alberto Seixas Santos, que coordenava a programação de ficção na RTP. Na época, agendou-se a exibição de O Tubarão para um horário nobre. Anos mais tarde, ao ser retransmitido, o mesmo filme teve início à hora em que terminara quando passou na década de 80. "Televisão generalista" não é um conceito estável. Hoje em dia a televisão generalista caracteriza-se pelo horário nobre e 80 a 90 % deste prime time é preenchido com telenovelas e reality shows. Os impulsos de consumo do nosso tempo excedem o que se passa na televisão, estamos formatados para consumos acidentais e para estímulos rápidos e as questões de natureza económica determinam todas as outras. A arma mais forte dos critérios económicos são as audiências. É uma arma perigosa, quando gerida por economistas e gestores, fazendo dela uma utilização chantagista, que confunde o índice de audiências com o gosto das audiências. A gestão das televisões nos prime times é uma gestão por impulso, feita com base em critérios económicos.
A história da democracia ensinou-nos a ter alguma prudência em relação ao que é quantitivamente maior. Foi em nome da quantificação que se impôs a novela como modelo narrativo dominante da sociedade portuguesa. E quando se faz cultura com telenovela e reality shows, veiculam-se valores culturais muito fortes e de modo sistemático. A cultura começa precisamente onde está a maior quantidade de pessoas.
No Campeonato Europeu de Futebol gastaram-se 645 milhões de euros para construir 10 estádios de futebol. Discute-se muito pouco o que isto significa em termos culturais: à média actual de custos de produção, faziam-se 1000 longas-metragens com este dinheiro. Estão cem anos de cinema português enterrados em cimento em dez estádios de futebol e isto tem um significado cultural incontornável.
A televisão do Estado é uma questão em aberto, sem solução. Para um papel da televisão do Estado como alternativa era preciso uma opção política de fundo. A classe política não se interessa por essas questões e precisa da televisão como tribuna. Era bom saber até que ponto os valores inculcados pela televisão vão ser discutidos na campanha para a Presidência da República. Provavelmente não serão discutidos, o que é mais uma prova de indiferença em relação à vida cultural do país que passa por aí, pela televisão.»

Ecos da última sessão - Daniel Oliveira

«Quis fazer o exercício de tratar a TV como um problema. Em Portugal é um problema maior porque assume uma importância maior, a televisão tem um peso político maior. Estamos a assistir a uma lumpenização da TV. A expansão do cabo e da Net arrebanha públicos especializados e respectiva publicidade, para as generalistas fica o resto. Crescem os nichos e a publicidade pode dirigir-se apenas ao público que interessa. Assistimos a uma estratificação social da televisão: a generalista vai sobreviver mas será a televisão dos pobres, o Minipreço do audiovisual. A televisão por cabo é complementar das generalistas, é feita pelas mesmas empresas, mas para um público com maior poder de compra e gostos específicos. No momento em que a televisão por cabo passar a ser livre ou irrisoriamente paga, passa a haver a codificação da informação. Tudo isto tem um efeito na programação: passa a ser regida por um mínimo denominador comum, sobra para a televisão generalista o que é barato.
O problema é que quando falamos de televisão, falamos de pessoas, as pessoas que vêem televisão. Nunca, como agora, o consumo foi tão diversificado e tão massificado. Nunca tantas pessoas viram o mesmo filme e nunca houve tantos filmes para ver. Nunca as elites tiveram tanta liberdade de escolha, nunca as não-elites tiveram tão pouca. A televisão generalista tende a ser a televisão gratuita, mais livre e menos democrática.
Mesmo que o público seja o mesmo, não é igual querer ver um filme e ir ao cinema ou parar num filme emitido por determinado canal e vê-lo. É a diferença entre uma escolha preparada, que exige esforço, e uma escolha fácil. Na programação generalista há um máximo denominador comum: o maior número de pessoas possível a assistir a um programa num determinado horário. O programador pensa: "como é que vou conseguir uma parcela importante destes espectadores para mim?"
O serviço público deve ser feito com dois canais do Estado, desde que o segundo não seja o álibi para que o primeiro não faça o que tem a fazer. A televisão pública tem como função concorrer com a privada. Nomeadamente no que diz respeito à informação. Nas democracias actuais há peso excessivo da televisão, a televisão produz sociedades com Alzheimer, onde não há memória. As coisas acontecem agora, a informação televisiva dá-nos a ilusão de uma catástofre permanente. Daqui resulta uma sociedade de pessoas frustradas, porque nunca o ritmo de vida comum será o ritmo da vida em televisão.»

Ecos da última sessão - Nuno Artur Silva




«Nos últimos anos, as generalistas perderam um milhão de espectadores. O sentido de comunidade das televisões generalistas transferiu-se para outros lados, para comunidades mais pequenas, segmentos. Há miúdos de 10 anos que não vêem televisão: interessam-se pelo messenger, pela Internet, pelo iPod. Vivemos no tempo do zapping e do linking. Vivemos melhor pela diversidade da escolha, apesar de lermos menos do que líamos. Nunca houve tanta escolha como agora.»

Ecos na Imprensa

sexta-feira, outubro 28, 2005
Rangel defende futuro da TV generalista

«A televisão generalista não perdeu o seu espaço». A afirmação é de Emídio Rangel que, no entanto, admite que se caminha «para um consumo maior dos canais temáticos». «A tendência é para a diversidade de meios de informação e de acesso a esses meios», diz. Já o crítico João Lopes considera que, hoje, a televisão generalista é «feita com telenovelas e reality shows», referindo-se à programação. Isto porque a maior arma são as audiências, um índice de natureza económica. A conversa aconteceu no debate A Televisão, Tal como a Conhecemos, Acabou, tema inaugural da terceira temporada de mais um encontro É a Cultura, Estúpido!. De volta ao Teatro São Luiz, com novo formato, o debate reuniu o fundador da SIC e o crítico de cinema e de televisão, com moderação de Nuno Artur Silva e Daniel Oliveira. Daniel Oliveira considera que a televisão generalista «vai deixar de ser a televisão de toda a gente. É o bairro social. Porque a TV é o único meio de entretenimento gratuito que existe». O jornalista fez, ainda, um exercício «tendencioso, mas propositado» tratando a televisão como um problema. «Em Portugal é um problema maior do que em outros países, porque cá a TV tem um peso muito superior, por isso o lixo vende muito». Para Nuno Artur Silva «o futuro da TV já não é o fluxo narrativo que os programadores nos impõem. Há uma lógica que substitui o zapping pelo linking. Vamos ao computador linkar o que queremos ver. Chegou a era dos programadores em casa». O lançamento da televisão por cabo, na Internet e nos telemóveis (em Portugal já em 2006) fez nascer uma nova área, deixando para trás a novidade que representou, há 13 anos, o aparecimento das televisões privadas. Rangel frisou que voltaria a fazer a estação da mesma forma. «O trajecto da SIC foi o correcto. Começamos com várias limitações financeiras e a RTP preparou-se bem para receber as privadas. Senti que o maior benefício era proporcionar aos telespectadores uma informação alternativa». Mas as televisões generalistas, mesmo a pública, parecem ter perdido a batalha da informação. João Lopes respondeu com uma questão: «De que modo e até que ponto, a RTP tem condições e vontade para se assumir como alternativa? A missão da televisão pública é fornecer alternativas ao valores dominantes do mercado».

Paula Mourato, secção de Media do jornal Diário de Notícias

Ecos na TV

Na emissão de ontem à noite, transmitida já depois da meia-noite no canal :2, o programa Magazine abordou o debate sobre televisão no São Luiz, resumindo o essencial do que foi dito e ouvindo os protagonistas em curtos depoimentos complementares.

Relato da sessão de ontem

quinta-feira, outubro 27, 2005
Treze anos depois do aparecimento da primeira estação privada de televisão, mudou o modo como olhamos para o pequeno ecrã. Além dos canais generalistas, o cabo trouxe-nos uma infinidade de canais temáticos, que querem ser feitos à medida de todos os gostos. Com o telecomando na mão, somos o nosso próprio programador, do mesmo modo que zapamos de linque em linque quando navegamos na Internet.

No regresso do É a cultura, estúpido!, falou-se de um tempo onde as imagens se multiplicam, projectando-se num número cada vez maior de superfícies/ecrãs. Mas compreenderemos melhor o mundo (perguntou João Lopes)? Podemos realmente escolher o que vemos (duvidou Daniel Oliveira)? Se à primeira questão não houve quem conseguisse responder; na segunda, as opiniões, previsivelmente, dividiram-se. Daniel Oliveira, Nuno Artur Silva, João Lopes e Emídio Rangel concordaram que o cardápio imagético aumentou consideravelmente com a chegada da televisão por cabo e o uso massificado da Internet. Daniel Oliveira prefere ver a televisão como um problema: um problema social, porque esta maior oferta, pulverizada, é apenas acessível a alguns, enquanto a que se dirige a todos é cada vez mais pobre, menos interessante, mais fácil. Emídio Rangel parece acreditar que é uma questão de gosto: muitas pessoas fazem uma audiência, todos juntos sabem o que desejam ver e nunca deixarão de preferir o prato do dia, já feito, oferecido pelos canais generalistas.



O que é isso de canal generalista também foi assunto de discussão, num ponto de ordem introduzido por João Lopes, com uma referência à primeira frase do filme The End of Violence, de Wim Wenders: «Define violence». Ou neste caso, «defina-se generalista». Máximo denominador comum, no que respeita aos números dos que assistem; mínimo denominador comum, no que respeita à qualidade – Daniel Oliveira e Emídio Rangel viram, em momentos diferentes do debate, dois planos da mesma realidade: o público que interessa aos anunciantes do prime time. Mesmo acabada tal como a conhecemos, há qualquer coisa que se mantém: reconhecer a televisão como fundadora de mitos, imagens, histórias que integram o património audiovisual do país, obrigando a repensar o papel do Estado na televisão, chamando-o a co-produzir este imaginário e a guardar depois o espólio – foi assim que Nuno Artur Silva recolocou a questão do serviço público, muito para lá das audiências do momento e para lá da dúvida antiga «um ou dois canais de serviço público» (aqui respondida pelo plural, ainda que com reservas). Na mesma linha de pensamento, João Lopes reconhece a força da televisão ao inculcar os valores culturais de um país. Preocupa-o, por isso, o peso dos reality shows e das telenovelas no chamado horário nobre. Preocupa-o também o investimento excessivo nos estádios de futebol construídos para o Euro2004 – o equivalente a 1000 filmes de cinema português convertidos em betão.

À saída do São Luiz, alguns espectadores apressaram o passo, de forma a chegarem a casa ainda a meio dos telejornais. Havia outros curiosos com o resultado do jogo do Benfica para a Taça, transmitido àquela hora pela estação pública. Aos poucos, o Jardim de Inverno esvaziou-se; até só ficarem os protagonistas do debate, a prestar os últimos depoimentos a uma equipa de reportagem do segundo canal.

Margarida Ferra

[Em próximos posts: um pouco mais do que disseram os convidados, um por um.]

Ecos na Imprensa

A televisão generalista fica para os pobres?

O fenómeno do cabo está a operar uma estratificação social da televisão, pelo que “a generalista vai passar a ser a televisão dos pobres, porque é a única que não se paga”. Esta foi uma das ideias defendidas por Daniel Oliveira no regresso do ciclo de debates
É a Cultura, Estúpido!, promovidos pelas Produções Fictícias, e ontem dedicados ao tema A televisão, tal como a conhecemos, acabou. Emídio Rangel, ex-director-geral da SIC e da RTP, esteve presente e discordou, frisando que “a televisão generalista não é um depósito para os pobres”, embora acredite que a segmentação dos públicos, devido à diversidade de escolhas no cabo, vai continuar a existir. Aquele que foi o primeiro programador da primeira estação privada em Portugal (a SIC) afirmou que um canal generalista deve saber conciliar o entretenimento e a informação e adiantou que “os portugueses gostam de informação e gostam de assistir aos telejornais”. O moderador e “agente provocador” foi Nuno Artur Silva. Voltando às televisões generalistas, Daniel Oliveira argumentou que hoje em dia deveriam ser apelidadas apenas de “televisões gratuitas, uma vez que são menos generalistas do que a SIC Radical”. Estava a referir-se à programação destes canais, que chegam a colocar várias horas seguidas de telenovelas, ao que Rangel disparou: “Colocar oito horas de telenovelas seguidas é um erro de palmatória”. O crítico de cinema João Lopes também marcou presença, afirmando que as audiências não devem guiar os programadores de televisão, uma vez que “são índices de natureza económica que são utilizados de forma chantagista”. O crítico entende ser impossível saber aquilo que as pessoas querem ver, ideia negada por Rangel, que assegurou que “é possível saber o que as pessoas querem a partir dos níveis de audimetria”.

Maria João Morais, secção de Media do jornal Público

Ecos na blogosfera

«A Televisão, Tal Como a Conhecemos, Acabou foi tema inaugural da terceira temporada do "É a Cultura, Estúpido!", no São Luiz. Convidados: Emídio Rangel e João Lopes. Conclusões: quem continuar a ver televisões generalistas pagas pelos anunciantes, merece a TV que tiver; quem estiver disposto a pagar canais temáticos da Cabo ou outros, terá a televisão que merece. Lógica implacável. A televisão do futuro começa hoje.»

Ricardo Gross, Babugem

Duelo de titãs

Grande plano

O objecto de estudo

Tele-espectadores (sem tele)

Princípio de conversa



Da esquerda para a direita: Nuno Artur Silva (moderador), Emídio Rangel, João Lopes e Daniel Oliveira (agente provocador)

Folha de sala

Pergunta #4

quarta-feira, outubro 26, 2005
«Na rentrée literária francesa deste ano, houve um livro que causou quase tanta polémica como o romance futurista de Houellebecq. Refiro-me a Acide Sulfurique, da belga Amélie Nothomb. Pelo que tenho lido, a narrativa não vale grande coisa, mas a ideia de partida é interessante. Numa espécie de apoteose grotesca, certa estação de TV decide lançar o mais obsceno dos reality shows. Isto é, a enésima versão do Big Brother, só que tendo um campo de concentração como palco. Os concorrentes passam fome e frio, sofrem a exaustão dos trabalhos forçados, bem como a vigilância de kapos escolhidos pela produtora, e vão sendo eliminados, um a um, pelos telespectadores. Eliminados literalmente, está bom de ver.
É óbvio que o texto de Nothomb é um exagero, um delírio, uma parábola. Mas podemos estar assim tão certos de que uma qualquer Endemol não aproveitará um dia, daqui a 20 ou 30 anos, esta ideia que nos parece agora tão absurda? Qual é o horizonte deste tipo de programas? Haverá um limite para a sede de voyeurismo da nossa sociedade e para a vontade de assistir à humilhação, em directo, de desgraçados em busca de uns quantos minutos de fama?»

É hoje!



«A Televisão, Tal Como a Conhecemos, Acabou»

Jardim de Inverno do Teatro São Luiz
18h30
Debate moderado por Nuno Artur Silva e Daniel Oliveira
Convidados: João Lopes (crítico de cinema e TV); Emídio Rangel (fundador da primeira televisão privada portuguesa)

Pergunta #3

«DVD killed the TV star?»

Ruído de fundo

«Gostaria de ver discutidas, numa perspectiva sociológica (passe o pretensiosismo), as mudanças estruturais verificadas no nosso país pelo aparecimento da televisão.
Em formato de memórias, posso acrescentar: quando era pequena (5, 6, 7 anos), aos domingos, durante o almoço, escutava-se na Emissora Nacional o "Domingo Sonoro". Mais tarde, durante as frequentes recidivas de febre reumática que me retinham na cama, deram-me um rádio de cabeceira. Aí escutava "o Zéquinha e a Lélé" ou "Poliana, a história de uma doentinha" (!). Assustei-me, como todos, com a transmissão da "guerra dos mundos".
Poucos anos mais tarde, a televisão chegou lá a casa, no Natal! Na sala colocámos cadeiras em formação de plateia. Só depois do jantar é que nos posicionávamos — víamos os fados, os concursos e os festivais. Era a família presente-ausente, só a ver, sem comentar. Tratava-se de uma televisão a preto e branco, com conteúdos cinzentos como o governo. Foi a televisão que informou sobre a guerra de África e a tomada da Índia — tinha lá um irmão... foi um desespero!
Em plena adolescência e até ao 25 de Abril, deixei de ver televisão.
Hoje, quando faço "zapping" através do tele-lixo, sinto uma insatisfação total e volto-me para outra caixa, mais luminosa, mais sedutora, mais à medida do meu desejo de conhecer, comunicar, aprender. Sempre que preciso de recomeçar — retroceder para refrescar, repescar informação ou observar melhor, volto atrás. Impossível fazê-lo na televisão tal como agora a temos — serviço básico de TV cabo.
Agora, a caixa que tanto nos maravilhou serve de ruído de fundo na chegada a casa. Depois, pela noite dentro, é destronada pelo CD. Muitas vezes, o "biography channel" serve de tranquilizante. Nada melhor do que a "Saga dos Romanoff" para dormir no emaranhado de famílias reais destituídas de poder, cheias de brilho decadente, numa sociedade chamada de globalizada, onde a desigualdade é cada vez mais desigual.»

(Teresa de Campos Moraes, 57 anos)

Será que veremos a televisão do futuro em televisores?



Duvido. A TV enquanto electrodoméstico tem os dias contados (apesar dos progressos do plasma, do LCD, das plataformas digitais, etc). A tendência será para que o ecrã se torne cada vez mais pequeno — fundindo-se com os telemóveis, os leitores de mp3, as consolas portáteis — e cada vez maior (paredes das salas de estar, abóbadas do metro, fachadas dos prédios). Lembram-se do filme Minority Report?
Como o João Lopes poderá explicar com outro rigor na sessão desta tarde, para haver um ecrã basta que exista uma superfície. E o mundo tem infinitas superfícies à espera de serem ocupadas por imagens em movimento. Imagens que ainda não existem, imagens de coisas por inventar, mas que já sentem o cinema e a televisão tradicionais como espartilhos anacrónicos onde inevitavelmente deixarão de caber.

[José Mário Silva]

Pergunta #2

terça-feira, outubro 25, 2005
«Acho muita fruta eu colocar aqui uma questão e ela amanhã ser feita
aos convidados do "É a cultura, estúpido!" mas aqui vai:

Tendo chegado a haver registadas em Portugal, no início e meados da década de 80, cerca de 32 televisões piratas (números oficiais dos antigos Serviços Radioeléctricos, actual ANACOM) mas que oficiosamente atingiram mais de meia centena, não acham no mínimo estranho a Grécia, a Itália e a Espanha terem em média para cima de 800 televisões locais (cerca de 300 na Grécia, 1500 em Itália e cerca de 900 em Espanha) e em Portugal não haver um único projecto de televisão local, nem por antena nem por cabo, tendo em conta que Portugal é o país da Europa com maior consumo diário de televisão por espectador, chegando a mais de 3h40m, e tendo a funcionar para cima de 50 produtoras de vídeo?»

Lido na blogosfera

«Pierre Bourdieu desmonta uma série de mecanismos que fazem com que a televisão exerça uma forma particular de violência simbólica. O próprio autor define essa violência simbólica como aquela que é exercida com a cumplicidade daqueles que a sofrem e daqueles que a exercem, na medida em que uns e outros estão inconscientes do facto de a exercerem ou de a sofrerem. Um bom exemplo disso são as notícias sensacionalistas, que fazem parte de uma acção simbólica que a televisão exerce e consiste em chamar a atenção para factos que são moldados para interessar a todos. Estes factos não devem chocar, não devem ser disputados, não devem dividir, muito pelo contrário: eles devem provocar consenso, interessar a toda a gente, mas de uma maneira que não toquem em nada que seja importante. A notícia sensacionalista torna-se importante pelo simples facto de interessar a todos sem consequências e porque ocupa tempo, tempo, esse, que poderia estar a ser usado para dizer outra coisa. Desta maneira, muitos minutos são empregues em dizer coisas fúteis, mas que se tornam importantes na medida em que escondem coisas preciosas. Posto isto, a televisão pode esconder mostrando.»

(Carla Ribeiro, A Ordem Alfabética)

Outra visão crítica do fenómeno televisivo

«La télévision n'est plus le lieu de la pensée, mais du fast-thinking»

Pierre Bourdieu, in Sur la télévision

[Resumo e crítica do livro aqui]

Uma abordagem pessimista da televisão que temos (e teremos?)

Argumentos de Karl Popper contra a TV («There is enough violence in the world, we do not need to invent more to desensitise people to it. It is destroying civilisation.»)

Pergunta por correspondência

Recebida na nossa caixa de correio:

«A tendência na procura de informação e entretenimento parece ser a especialização. Fazemos isso com a internet, os livros, os DVDs, jornais e revistas. O que falta para o fim dos canais generalistas?»


Esperamos respostas, amanhã, pelas 18h30 no Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz. E esperamos mais questões em eacultura@yahoo.com ou aqui em baixo na caixa de comentários.

Painel

segunda-feira, outubro 24, 2005
Sofremos uma baixa de última hora e Manuel Falcão, por motivos pessoais, não poderá estar presente no Jardim de Inverno. Recapitulando, à mesa, estarão:
- Emídio Rangel, o «fundador teórico» da primeira televisão privada portuguesa e, mais tarde, director-geral da RTP (e, nessa medida, com uma dose de responsabilidade no panorama actual do pequeno ecrã);
- João Lopes, crítico de cinema e televisão (tem vindo a questionar o modelo de tenovelização que nos é oferecido pelas estações portuguesas);
- Daniel Oliveira, da equipa residente do «É a cultura, estúpido!», participou na elaboração do programa do Bloco de Esquerda para o audiovisual;
- Nuno Artur Silva, director das Produções Fictícias, onde, entre muitas outras coisas, são criados alguns dos conteúdos da televisão que temos.

Cartoon

(via BdE, via caglecartoons.com)

THE NEXT ILLUSION WILL BE TELEVISED



Cartoon de Boligán

Perguntas, dúvidas, adivinhações

É deixá-las aqui, na caixa dos comentários, ou enviá-las por e-mail (eacultura@yahoo.com), e vê-las em discussão no debate, quarta-feira, às 18h30.

Um linque cheio de linques

sábado, outubro 22, 2005
O que dizem da televisão os estudiosos.

Tecnologia

sexta-feira, outubro 21, 2005
Mais pequena que um telecomando, é o que se mostra aqui.

Depois do fim

Acabou a televisão que conhecemos, mas o DVD ainda pode salvar a nossa infância. Estes senhores descobriram que os nostálgicos podem ser um nicho de mercado e acenam-lhes com todos os episódios do ursinho Misha, Tom Sawyer ou Verão Azul para consumo doméstico em doses industriais ou homeopáticas.

Emídio Rangel

quinta-feira, outubro 20, 2005
Também vai discutir o futuro da televisão, no próximo «É a cultura, estúpido!».

Convidados confirmados até agora

- João Lopes, crítico de cinema, TV e media
- Manuel Falcão, director do canal :2

Antes do São Luiz, a Feira


Em Cannes, tudo sobre conteúdos televisivos.

Próximo encontro: televisão

quarta-feira, outubro 19, 2005
A televisão tal como a conhecemos, acabou. Em 1990, chegava ao fim o TV Rural (o programa do Engenheiro Sousa Veloso foi o que mais tempo esteve no ar: 30 anos). Em 1992, a SIC emitiu pela primeira vez e, um ano depois, com a TVI, eram quatro canais no éter, dois deles privados. Em 1994 já não era só éter; apareceu a televisão por cabo no nosso país. Em 2001, o Big Brother invadiu muitas casas portuguesas. Em 2004, um blogue transformou-se num verdadeiro êxito de audiências. Em 2005, há dez estações nacionais disponíveis através da assinatura mais barata da TVCabo. Como é que será em 2020?

De volta, agora também na blogosfera

A rentrée dura até ao fim de Outubro, e É a cultura, estúpido! regressa na próxima semana, no local e hora do costume (Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz, última quarta-feira do mês, 18h30). Depois de duas temporadas a analisar a actualidade, nesta terceira série vamos esquecer o que já foi e o que está a ser e discutir o que está para acontecer. Vamos tentar, pelo menos. Os elementos da equipa residente mantém-se, mas passam aos bastidores de onde sairão, à vez, para moderar e provocar debate. Entre encontros, temos o blogue. Aqui está ele, aberto à participação de Anabela Mota Ribeiro, Daniel Oliveira, José Mário Silva, Nuno Costa Santos, Pedro Mexia e Nuno Artur Silva, mas também dos espectadores que aqui podem comentar, perguntar, adivinhar, criticar, fazer futurologia, sugerir, descrever, enviar fotos, linques sobre o tema ou ficheiros mp3.

Press Release

terça-feira, outubro 18, 2005
No próximo dia 26 de Outubro (quarta-feira), pelas 18h30, o ciclo de debates «É a Cultura, Estúpido!» volta ao Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz, agora num novo formato. Depois de dois anos a discutir a actualidade, vamos tentar adivinhar o futuro – o que aí vêm em vários domínios. As sessões passam a ser temáticas, com um painel de convidados e a animação da conversa garantida por dois apresentadores rotativos – um moderador e um “agente provocador”, ambos da equipa residente (Anabela Mota Ribeiro, Daniel Oliveira, José Mário Silva, Nuno Costa Santos, Pedro Mexia e Nuno Artur Silva, coordenador).
A Televisão, Tal Como a Conhecemos, Acabou é o tema inaugural desta terceira temporada. Na mesa estarão Nuno Artur Silva, Daniel Oliveira e convidados a anunciar.