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É a cultura, estúpido!

Na última quarta-feira do mês, no Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz.

Post-it

quarta-feira, julho 12, 2006

Nuno Artur Silva

segunda-feira, julho 03, 2006


Recomenda a leitura de «Cândido ou o Optimismo», de Voltaire (na edição da Tinta da China, traduzido por Rui Tavares), a música de Rosa Passos e Mariza Monte («Universo ao Meu Redor»)



e a série «Extras», inédita em Portugal,
disponível em DVD.

Nuno Costa Santos

vai ouvir Dead Combo, recusa a Floribella. Mais do que livros, recomenda a leitura de géneros: pequenos contos (rapidinhas literárias) e crónicas. Na blogosfera linca para a natureza do mal, um blogue antigo cheio de aforismos, e a antologia do esquecimento.

Pedro Mexia

domingo, julho 02, 2006


«Lenin Oil» de Pedro Rosa Mendes, ilustrado por Alain Corbel (D. Quixote), «Um herói português: Henrique Paiva Couceiro» (Aletheia), e «Pobre e Mal Agradecido», de Rui Tavares (Tinta da China).

.

Para ver em DVD, sugere o filme Broken Flowers, de Jim Jarmush e a série «Extras» (conselho que partilha com Nuno Artur Silva).

José Mário Silva

sábado, julho 01, 2006


recomenda a leitura de «Convite Para Uma Decapitação», deNabokov (Assírio e Alvim), «E Se Eu Fosse Cego», de Bruno Sena Martins (Afrontamento), «Uma Pequena História do Mundo», de EH Gombrich (Tinta da China) e «História Natural da Destruição», de WG Sebald (Teorema).



On line, sugere que se visitem três blogues: auto-retrato, canhões de navarone, e a memória inventada.

A ouvir: discos de produção caseira como o «Liberdade não é dada», de Pedro Rodrigues e Diana Dionísio, e «Pessoa», dos Wordsong, que é CD, DVD e livro.

Anabela Mota Ribeiro

sexta-feira, junho 30, 2006
sugere que se oiça Alice Coltrane



e que se leia Clarice Lispector.


(Contos, Relógio d'Água, 2006)

Press Release

quinta-feira, junho 22, 2006
É a Cultura, Estúpido fecha para férias

No próximo dia 28 de Junho, o Jardim de Inverno recebe o último É a Cultura, Estúpido.
A equipa vai de férias, mas antes fará um balanço literário, cinematográfico e musical do 1º semestre de 2006. E porque o Verão é grande, fique a par de tudo o que há para ler, ver e ouvir, assim como de tudo o que há para não ler, ver e ouvir durante estas férias. Haverá ainda opotunidade para eleger os melhores e os piores deste semestre, nas áreas da
música, televisão, blogues, rádios, cinema e imprensa.
A sessão conta com a participação de toda a equipa residente do
É a Cultura, Estúpido: Anabela Mota Ribeiro, Daniel Oliveira, José Mário Silva, Nuno Artur Silva, Nuno Costa Santos e Pedro Mexia.

Quarta-feira, 28 de Junho, às 18.30
Jardim de Inverno, Teatro Municipal de S. Luiz

O futuro próximo de cada um

sexta-feira, junho 09, 2006
O «É a Cultura, Estúpido!» de Junho fecha a quarta temporada de encontros no Jardim de Inverno. Estará ainda mais calor, estaremos nas vésperas dos quartos de final do Mundial de Futebol. Ninguém vai querer falar de outro futuro que não seja o dos meses que se seguem: as férias. O que ler, que filmes ver, que discos passar para o iPod, que equipa apoiar nos jogos que faltam, como sobreviver se não se gostar de futebol. Não perca as sugestões de Anabela Mota Ribeiro, Daniel Oliveira, José Mário Silva, Nuno Artur Silva, Nuno Costa Santos e Pedro Mexia, no último «É a cultura» da season, mais silly do que nunca, com todo o plantel convocado para a mesa.

Ouvido no São Luiz, 4

Anabela Mota Ribeiro: O elemento anacrónico numa cidade daqui a 50 anos será o carro com um só condutor?
Manuel Graça Dias: Sim, como hoje são para nós o riquexó ou a liteira. O automóvel parado e a andar ocupa um espaço descomunal, de tal maneira que as cidades ocupam elas próprias um espaço descomunal.

Ouvido no São Luiz, 3

«A cidade da Idade Média é fechada, limitada, um círculo de muralhas com pessoas lá dentro. A cidade contemporânea é tudo menos isso. Lisboa é uma cidade de emigrantes.»
Manuel Graça Dias

Ouvido no São Luiz, 2

«Somos todos classe média, mesmo os que não são. Quem não é, sonha ser e pensa como classe média, tem um olhar que não tem obrigatoriamente a ver com a sua própria vida. O medo não se apodera da classe média, mas de todos que supostamente vivem naquela realidade.»
Daniel Oliveira

Ouvido no São Luiz, 1

«A questão que se coloca hoje é como é que se podem encontrar formas de agregação, de consenso. As formas societárias de agregação assentam sobretudo no lazer e funcionam em monocultura. É preciso construir formas societárias de agregação que não assentem exclusivamente no lazer. São as instituições culturais que podem produzir comunicação interpessoal. Há uma tipologia criada no século XIX, os teatros e museus, instituições culturais em bom estado, que se pode aproveitar. O século XX criou os centros culturais que já não estão em bom estado e que se deviam deitar fora.»
Delfim Sardo

relato da última sessão

quinta-feira, junho 08, 2006
MUITAS CIDADES DENTRO DA CIDADE

Anabela Mota Ribeiro começou pelo princípio e perguntou aos presentes que cidades teremos no futuro. É ao cinema que Manuel Graça Dias, arquitecto, vai buscar dois futuros diferentes para as cidades, os filmes Blade Runner e Barbarella. O que mais se pode aproximar da realidade é, acredita, o que se vê no filme de Ridley Scott: «uma sobreposição de coisas que conhecemos, pontuadas por coisas novas; as estruturas físicas das cidades como aquelas em que vivemos estão lá, assim como os elevadores estragados». A arquitectura tem essa possibilidade, de permanecer no tempo, quando assim é concebida, por isso chegaram até nós as pirâmides de Gizé, estruturas mais investidas, monumentos, apesar das aldeias e cidades que lhes foram contemporâneas terem desaparecido. Sobre o que ficará Graça Dias acrescentou: «hoje construímos de uma maneira mais simples, mais rápida e com expectativa de durabilidade. Uma cidade hoje não arde de um dia para o outro.» Delfim Sardo, agente cultural em território urbano, concorda com a escolha dos dois modelos cinematográficos, o limpo, da esperança de Barbarella, e o sujo e apocalíptico, em Blade Runner. É também nesta última antevisão que mais acredita: uma cidade de tal modo saturada de imagens que as armadilhas são permanentes.
E o que faz a diferença entre as cidades, as cidades de hoje, as que hão-de vir e todas as que já não são? Anabela Mota Ribeiro, moderadora e moderada, questionou se não seria o modo como as pessoas se organizam e o movimento na cidade que faz a diferença. Para o arquitecto, o tema das deslocações é dos mais importantes. Segundo Graça Dias, a breve prazo assistiremos ao abandono do transporte privado como o conhecemos hoje, «e não será por estarmos na curva descendente das reservas petrolíferas». A tendência será para vivermos da maneira mais confortável possível, movimentarmo-nos numa área restrita onde não se perde tempo com deslocações ou, em alternativa, usar transportes colectivos. Nada disso se passa já hoje, os transportes públicos estão cheios de jovens, emigrantes e velhos, as pessoas mais fragilizadas do ponto de vista dos transportes. O arquitecto explicou então os três pontos que considera determinantes no desenvolvimento das cidades: além da exclusão dos automóveis privados, que introduziria uma verdadeira alteração, Graça Dias chamou a atenção para a emigração, «traz alegria para as cidades, novas maneiras de vestir, melhor oferta de restaurantes, lugares de culto diferentes, livrarias», as cidades também são lugares de cruzamento cultural. O terceiro ponto de viragem: a confiança dos governantes na capacidade das pessoas se exprimirem e verbalizarem as suas necessidades.
Delfim Sardo tem a certeza de que o futuro das cidades depende de circunstâncias locais de desenvolvimento. Apesar disso, acredita que vivemos um processo de medievalização da cidade. E explicou-o assim: «voltámos a assistir ao fenómeno de concentração de propriedades» (visível nas mais diversas áreas, nas artes corresponde à importância crescente das colecções privadas); «assistimos a uma fragmentação dos poderes», contra a qual o poder central luta, armando-se de mecanismos administrativos; «o inglês representa um fenómeno de língua franca, similar ao latim na Idade Média»; «de um ponto de vista cultural verifica-se uma pulverização das heterodoxias semelhante às heresias medievais».
Daniel Oliveira, no papel de agente provocador, acha que os futuros são sempre falíveis. Ou seja, não se previa que a mulher entrasse no mercado de trabalho e que isso mudasse a cidade. «O comércio tradicional é feito por donas de casa. A contracção do comércio em centros comerciais, corresponde a uma democratização do consumo e à entrada da mulher no mercado de trabalho.» Para Daniel Oliveira, é impossível discutir a cidade sem discutir o futuro da política e da economia, «a cidade é o espaço da política». Com a concentração da propriedade e a degradação do papel do estado, é inevitável a degradação da cidade tal como a conhecemos, como espaço de poder relativamente planeado. Mas, pergunta Daniel, «ao mesmo tempo que temos uma diminuição deste poder não temos uma uniformização das cidades»? A verdade é que as lojas chinesas, por exemplo, mudaram o cenário das cidades, mas são todas iguais. «As cidades são feitas de memórias, será que a emigração e a desregulação não farão das cidades cada vez menos um espaço de memória?»
Quanto à questão da segurança, levantada sempre que se fala na emigração, Daniel Oliveira tem dúvidas de que a cidade seja mais insegura hoje em comparação com outros períodos históricos. O que lhe parece é que há um recuo das pessoas em relação à cidade. À semelhança do que acontecia no documentário exibido recentemente na RTP sobre a violência nas escolas, filmado com uma câmara escondida, ficamos com medo, «as pessoas vivem a cidade assim, mediada por imagens que só acontecem nos ecrãs, como foi o caso do arrastão». «Já há uma cidade hoje que nos escapa, cidades que não se tocam a não ser pela televisão, muitas cidades diferentes na mesma cidade», conclui.
Graça Dias apontou a Daniel Oliveira um erro de perspectiva nas suas considerações: «fala do lado da classe média, como se fosse a totalidade do país e da cidade; quem tem medo é a parcela mais pequena da população, é quem anda de carro e vive nos condomínios fechados». A fauna da cidade é diversa e é aliás por isso que a democracia tem a sua génese nas cidades: «somos muitos e temos que inventar formas de nos tolerar».
E como pode ser cimentada a identidade das cidades? A pergunta foi de Anabela Mota Ribeiro, que assim relançou o debate. Bairro Alto, tasca, fado, rio, são flashs dispersos que «forjam uma identidade que não corresponde às práticas», crê Delfim Sardo e acrescenta: «há uma confusão entre identidade e as marcas que as cidades inventam para serem vendidas, a identidade não passa por aí e é uma negociação permanente». Daniel Oliveira concorda, «a identidade é sempre qualquer coisa de forçado, a prova disso é que digo “eu também sou português”». Além disso, a mesma identidade é uma forma de defesa dos autóctones, «há resistências da parte de quem recebe e de repente somos todos europeus». Manuel Graça Dias sente-se mais próximo de um arquitecto de Rejkjavjk do que do seu vizinho de cima. A cidade é para o arquitecto um território riquíssimo onde o imprevisto acontece, ao contrário do destino, do fado, não podemos determinar o que acontece, «forçar a integração dos emigrantes é como criar uma identidade para os turistas, a cidade tem que se resolver o melhor possível, mas não podemos ser nós a fazê-lo». Nesse ponto, Daniel Oliveira está de acordo: «o encontro dos emigrantes com a cidade faz-se naturalmente, com tempo». O problema é que os emigrantes trabalham catorze horas por dia, não têm ainda tempo. Daniel confessa que não vive angustiado com o envelhecimento da população europeia. Acha que no futuro haverá menos europeus, menos cristãos, menos brancos no mundo. Os emigrantes virão para aqui preencher o vazio e terão alguns dos nossos luxos.
A terminar falou-se de todos os outros que se movimentam na cidade, às vezes com dificuldade. «As nossas cidades não estão pensadas para crianças e velhos, não é uma questão de demografia, mas de democracia», diz ainda Daniel Oliveira, «a nossa cidade é pensada para quem produz». É caso para dizer, contrariando Graça Dias, que «a cidade não acontece naturalmente». Segundo Delfim Sardo, acontece mesmo violentamente: Lisboa, por exemplo, tem barreiras de circulação poderosíssimas, e a responsabilidade disso atribui-a aos arquitectos que, segundo Sardo, sendo responsáveis não podem remeter para a adaptabilidade a entropia gerada na cidade. O arquitecto presente acusou o toque. Para Graça Dias, Delfim Sardo é funcionalista nestas considerações porque pressupõe que haveria um momento em que tudo funcionaria na perfeição. Manuel Graça Dias defende-se assim: «o arquitecto não é um ser supremo, tenta fazer coisas com sentido, anda em bolandas entre quem quer fazer as obras e as exigências legais que contornam as áreas, muito limitadas, onde pode actuar». Era já tarde no Jardim de Inverno e havia ainda uma infinidade de cidades à espera de serem percorridas por cada um de nós. Com mais ou menos escadas, pedras da calçada levantadas no passeio, de metro, de carro, de eléctrico, a pé, até casa ou para o ponto seguinte, do Chiado irradiaram as lisboas de cada um.

Ecos na blogosfera

sexta-feira, junho 02, 2006
Ele foi ao É a cultura.

abrigos (3)

terça-feira, maio 30, 2006
«Walter Benjamin foi o pensador da cidade, o escritor que a considerou o cerne de toda a reflexão sobre a História e sobre a cultura moderna. De um modo também pouco sistemático e fragmentário foi Roland Barthes, nomeadamente o Barthes das "Mitologias" quem, a partir dos ícones da cidade ("A Cheia não inundou Paris", "O Bife e as Batatas Fritas", "O Novo Citroen", "O Plástico", "No Music Hall", etc.), analisou o modo como a linguagem instituiu uma certa maneira de ser cosmopolita. De outra forma, numa escrita sempre passional, Marguerite Duras escreveu no Verão de 1980, para o jornal Libération, um conjunto de crónicas sobre episódios ocorridos em Paris durante um período específico de tempo. Sobre literatura e cidades seria aliás infindável a lista de relações e de obras escritas: de Cesário Verde a Italo Calvino, de Nelson Rodrigues a José Cardoso Pires.»

António Pinto Ribeiro, «abrigos - condições das cidades e energia da cultura», Cotovia, 2004.

Babilónia, Amadora

Proibida permanência nos corredores.
No Centro Comercial Babilónia circulamos - sempre - por um dédalo de corredores apertados, muito concorridos e com mais de uma centena de estabelecimentos comerciais ao nosso serviço. Snacks, lojas de alta fidelidade, centros de cópias e sociedades de mediação mobiliária constituem a maior oferta. Na "Dreamhouse" encontrámos apartamentos à venda em Massamá, Queluz, Cacém, Rinchoa, Mira Sintra e, claro, na Amadora, onde se encontra este bazar moderno, mesmo junto à estação ferroviária. Oferecem-se "óptimos negócios", com vista panorâmica, TV Cabo e soalhos flutuantes, uma estranha fixação dos subúrbios. Os preços são embatíveis, os móveis lacados e os armários em mogno. Seguindo viagem, os mapas do Babilónia esclarecem-nos sobre o seu sistema de combate a incêndios - que inclui numerosos detectores de fumo, botoneiras manuais e extintores de pó químico - mas não sobre a nossa posição. A custo, e após alguns desvios, damos com a sua praceta esplanada por entre máquinas de fotos tipo-passe, observamos uma agitação. Inaugurado há mais de quinze anos, o Centro é um sobrevivente da era anterior aos titânicos shoppimg malls. Durante o Natal continua a não haver sítio mais concorrido nas redondezas.


De «Cimêncio» *, de Diogo Lopes e Nuno Cera, publicado pela Fenda, em 2004.

* cimêncio, s.m. (do lat.coementu por aglutinação com do lat. silentio). Sono profundo dos arredores. | Construção imaginária; matéria-prima do espiríto. | Estado calcário que indicia conjuntura de tranquilidade. | Mistura feita de cal e mistério, impermeável ao tempo. | União íntima; pausa fundamental. | Suspensão de base ou fundamento.

abrigos (2)

segunda-feira, maio 29, 2006
Cidades erguem-se dentro de cidades. As Petronas Twin Towers em Kuala Lumpur albergam, nos seus 450 metros de altura, 60 000 pessoas e prevê-se em Tóquio a construção de uma Ecopolis com 1000 metros de altura e uma capacidade de ocupação da ordem dos 100 000 habitantes. A relação com a natureza altera-se: depois de ter sido expulsa do espaço urbano pela azáfama urbanista dos anos 70, regressa e parte deste começa a ser destinada a zonas naturais, mais ou menos regradas - 20% dos vegetais consumidos em Buenos Aires são produzidos em quintas dentro da própria cidade e, em Amsterdão, existem cerca de 20 000 hortas particulares.

António Pinto Ribeiro, «abrigos - condições das cidades e energia da cultura», Cotovia, 2004.

Press Release

Flanar é o verbo do próximo «É a Cultura, Estúpido!». A cidade, com a sua multidão anónima, a sua tipologia incerta, o seu futuro invisível, é o lugar desta viagem. Manuel Graça Dias, arquitecto, pensador, leitor do espaço da cidade, e Delfim Sardo, agente cultural, intérprete de arte contemporânea, interveniente na cidade por essa via, são os convidados do mês.
Como serão as cidades do futuro? Caminhos possíveis são apontados na próxima edição do «É a cultura». Anabela Mota Ribeiro faz a moderação da conversa e Daniel Oliveira irrompe em diferentes cruzamentos como agente provocador. Baudelaire, que considerava a cidade um lugar intermédio entre o céu e o inferno, também estará presente. Bem como a cidade mítica que Ridley Scott compôs em «Blade Runner». Esta quarta-feira, 31, às 18h30, no Jardim de Inverno do Teatro S. Luiz, em Lisboa.

abrigos (1)

domingo, maio 28, 2006
«A cidade contemporânea é um "work in progress" com as suas obras permanentes: alargamento dos aeroportos, abertura de novas vias de tráfego, construção e reconstrução de prédios, construção de novos bairros e de novas áreas de circulação. Por outro lado, a sua composição e combinação social altera-se a um ritmo alucinante, através das migrações contínuas e da circulação de pessoas: 50% da população do globo vive em cidades e, neste momento, a cada hora que passa, enquanto 60 pessoas chegam a Manila, seis outras abandonam Moscovo.»

António Pinto Ribeiro, «abrigos - condições das cidades e energia da cultura», Cotovia, 2004.

Blogosfera

Uma esquina do Porto, por Alexandra Barreto.

Blogosfera

sábado, maio 27, 2006
Esta é uma cidade como outra qualquer. Cidade que se ergue sob finos andares, como Bauci, habitada por gente tímida que admira as pedras, as folhas e as formigas. Com tabernas e janelas iluminadas onde mulheres se penteiam no rés-do-chão das casas, como Despina vista de terra. Cidade aquática, como Esmeraldina, na qual as ruas se cruzam e sobrepõem e a linha mais curta entre dois pontos é um ziguezague. Cidade sonhada, como Isidora. Cidade vaga, como Armilla. Infelizmente, aqui não mora o génio de Calvino. Ora bolas.

Miguel Cardina

Uma grande verdade

quinta-feira, maio 25, 2006
«A forma de uma cidade muda mais depressa, infelizmente, do que o coração de um mortal.»

Charles Baudelaire

Blogosfera

quarta-feira, maio 24, 2006
Lisboa, Telheiras, por Alexandre Andrade.

Sérgio Tréfaut, Lisboa e os lisboetas

terça-feira, maio 23, 2006


Tudo sobre o filme aqui.

Paul Auster e Nova Iorque

Quinn não tinha dinheiro que chegasse para ir de autocarro. Pela primeira vez em muitas semanas começou a caminhar. Era estranho estar de novo de pé, mover-se firmemente de um lugar para outro, balançar os braços para a frente e para trás, sentir o chão sob os sapatos. E todavia lá ia ele, seguindo pela zona ocidental da Rua 69, virando à direita na Madison Avenue, começando a dirigir-se para norte. Tinha as pernas debilitadas e parecia-lhe que a sua cabeça era feita de ar. Tinha que parar de vez em quando para recuperar o fôlego, e a determinada altura quase caiu, tendo de agarrar-se a um lampião. Descobriu que as coisas se tornavam mais fáceis se levantasse os pés o menos possível, arrastando-se para a frente com passos lentos e deslizantes. Deste modo poupava forças para as esquinas, alturas em que tinha que se equilibrar cuidadosamente antes e depois de cada passo que dava para subir e descer o passeio.

(...)

Continuou em direcção à zona alta durante mais alguns quarteirões, depois inflectiu à esquerda, atravessou a Quinta Avenida e caminhou ao longo do muro de Central Park. Na Rua 96 entrou no parque e sentiu-se feliz por estar no meio da relva e das árvores. o fim do Verão tinha exaurido já muito do verde, e aqui e ali a terra revelava alguns remendos castanhos e poeirentos. Mas as árvores ainda estavam repletas de folhas e havia por todo o lado uma cintilação de luz e sombra que o maravilhou como se fosse um milagre de beleza. Era o fim da manhã e o pesado calor da tarde só surgiria várias horas depois.


A Trilogia de Nova Iorque
, Paul Auster, traduzida por Alberto Gomes para Asa, 1999

Blogosfera

segunda-feira, maio 22, 2006
Lisboa em baixa resolução, opus 124 [infância perdida].

Marco Polo e Isaura

Isaura, cidade dos mil poços, presume-se que se situe por cima de um lago subterrâneo. Por toda a parte onde os habitantes escavem na terra longos furos verticais conseguem tirar água, e foi até aí e não para além desses limites que se alargou a cidade: o seu perímetro verdejante repete o das margens escuras do lago sepultado, uma paisagem invisível condiciona a visível, tudo o que se move sob o sol é impelido pela onde que bate encerrada sob o céu calcário da rocha.

Por consequência, dão-se religiões de duas espécies em Isaura. Os deuses da cidade, de acordo com uns, habitam as profundidades, o lago negro que nutre as veias subterrâneas. Segundo outros, os deuses, os deuses habitam os baldes que sobem pelas roldanas quando saem fora da boca dos poços, nas polés que giram, nos cabrestantes das noras, nas alavancas das bombas, nas pás dos moinhos de vento que puxam a água dos furos artesianos, nos castelos das plataformas que sustêm o aparafusar das sondas, nos reservatórios suspensos sobre os tectos em cima de andas, nos arcos finos dos aquedutos, em todas as colunas de água, nos canos verticais, nos ferrolhos, nas válvulas, até às girândolas que se sobrepõem aos andaimes aéreos de Isaura, cidade que se move toda para cima.

Em «As Cidades Invisíveis», de Italo Calvino, traduzido por José Colaço Barreiros para a Teorema.

Rui Tavares e Paris

domingo, maio 21, 2006
Paris é uma cidade mortalmente aborrecida. Isto não é uma opinião. Rua após rua, os mesmos prédios beige e amarelo deslavado. As famosas esplanadas todas com exactamente as mesmíssimas mesas e cadeiras. A grelha urbana pomposa e sem imaginação com que Haussmann matou a Paris antiga. Praticamente nada quebra aqueles quilómetros e quilómetros dos equivalentes arquitectónicos às rendinhas e folhinhos.

E quando quebra, vejamos o que se passa. Temos a Tour Montparnasse, um monolito tacanho. Temos o Arco do Triunfo, um bolo de casamento. Temos o Sacré Cœur, uma piroseira oitocentista (desculpa André) que dá para uma vista de terra-de-ninguém urbana coberta de smog (mil perdões).

Depois temos a Torre Eiffel, que merece um parágrafo à parte. [continua aqui]

Texto republicado em «Pobre e Mal Agradecido», da Tinta da China, 2006

Borges e Buenos Aires

sexta-feira, maio 19, 2006
«Esta cidade que julguei ser o meu passado
é o meu futuro, o meu presente;
os anos que vivi na Europa são ilusórios,
estava sempre (e estarei) em Buenos Aires.»


De «Arrabalde», em Fervor de Buenos Aires, vol.I, pp. 30, Obras Completas, Teorema, Lisboa, 2001. Citado em A Buenos Aires de Borges, de Carlos Alberto Zito, na Teorema, 1998

O futuro das cidades portuguesas no parlamento

A cada projecto, seu arquitecto.

O historiador responde

quarta-feira, maio 17, 2006
Nas sociedades ocidentais do fim do século o desejo de cidade é contrariado pelo desejo de natureza. Terá a cidade perdido definitivamente os seus atractivos?

Não creio. Mas os urbanos do século XXI decidir-se-ão a viver, como desejam, numa cidade não poluída e portanto a abandonar o carro às portas da cidade ou nos parques de estacionamento? Na Idade Média a cidade tinha uma beleza viva mas estou convencido de que está em vias de conceber novos encantos que renovarão a sua sedução.

Jacques Le Goof, em «Por amor das cidades - conversas com Jean Lebrun», traduzido por Telma Costa para Teorema em 1997

Uma cidade imaginária de Luis Carmelo

segunda-feira, maio 15, 2006
Mega, Novara




















Mega, aqui em visão parcial, é a maior cidade de Novara e é tão grande como Fli (em Muça). A capital de Novara é uma cidade com o mesmo nome - a cidade mais antiga do maior país preto. Novara é um país de emigração com origem em Suçobre (um dos países do mundo velho). Este continente novo é coisa de final de 1984. O velho do início de 1982. Vê-se o bairro vermelho com imigrantes que vieram do norte do mundo para o sul, ou mais concretamente, de Vejelho para Novaveja, mas acabaram por ficar por aqui.

Próximo

quinta-feira, maio 11, 2006
No dia 31 de Maio, última quarta-feira do mês, a conversa no Jardim de Inverno é sobre o futuro das cidades. Da equipa do É a cultura, estúpido!, Anabela Mota Ribeiro e Daniel Oliveira animam o debate. Em breve anunciaremos o nome dos convidados.

Relato da última sessão

quinta-feira, maio 04, 2006
DE QUE NOS VAMOS RIR PARA O ANO?

Nuno Costa Santos perguntou a quem estava sentado à mesma mesa que ele: «O que é que vos fez rir nos últimos tempos, na última semana, o que é que vos fez rir hoje?». Ferreira Fernandes, jornalista e conhecedor do humor na óptica de quem o utiliza, referiu o que passou despercebido nas comemorações do 25 de Abril: o discurso do presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, e de como ele citou a auto-biografia do actual PR, Cavaco Silva, que teria «saltado de alegria» em 1974. Rui Tavares respondeu que ainda agora tinha sorrido com ironia depois de saber que um historiador, ele próprio, estava ali para falar sobre o futuro do humor. Nuno Artur Silva confessou que ainda não se tinha rido no dia do «É a cultura, estúpido!», apesar do humor ser a matéria com que trabalha e considerou que as respostas dadas se situavam na fronteira do que é e não é humor.

Afinal, onde começa e acaba o humor? Para Nuno Artur esta generalização faz com que tudo pareça fazer parte de uma indústria de entretenimento geral e Nuno Costa Santos partilha da mesma sensação: «não há maior exclusão social do que não ter humor, quem não tem sentido de humor deixa de ter vida pessoal, sentimental, sexual, vivemos no mundo raso da sociedade humorística em que o cómico se torna obrigatório». Rui Tavares acha que os limites do humor são amovíveis, gasosos, o que nos faz viver como se houvesse dois modos de funcionar: com humor e sem humor. «O humor que está na berra é o das piadolas», considera Ferreira Fernandes, «os portugueses riem-se das pessoas que estão abaixo de si próprios; em Portugal, as piadas são sobre estas pessoas», excepção feita ao Contra-informação e Inimigo Público, «que têm os políticos como alvos». A Ferreira Fernandes responde Nuno Artur Silva, director das Produções Fictícias, que assinam os dois projectos, comentando que provavelmente os poderosos já não são os políticos, mas os futebolistas, economistas, «os políticos são dos mais inofensivos da classe do poder». E responde também Rui Tavares, constatando que rir da desgraça alheia é um traço humano e não propriamente português, «quando alguém tropeça na rua, a partir do momento em que se guarda alguma distância que torna impossível ajudar quem caiu, a partir do momento em que se baixa a guarda da humanidade, podemos rir-nos da situação». Acrescenta o historiador que os limites sociais do humor são consensuais, há sempre a possibilidade de alguém não ter percebido, ou de ter percebido e não ter achado graça. Nuno Artur Silva explica de outro modo: o humorista é o humorista e as suas circunstâncias, a mesma frase dita num contexto diferente ou de modo diferente pode não ser engraçada. Como aliás aconteceu com a piada de Woody Allen repetida por Ferreira Fernandes perante a silenciosa audiência do S. Luiz, conforme o próprio acabou por verificar. Acrescenta ainda Nuno Artur que Woody Allen, desde os primeiros filmes, foi deixando de fazer humor puro e duro, numa sucessão de gags hilariantes, e ganhando a vontade de contar histórias pontuadas por humor. «É a diferença entre comer açúcar à colher ou doces confeccionados.»

Há pouco mais de um mês, o Gato Fedorento ganhou honras de horário nobre no canal generalista do Estado. Nuno Costa Santos acha que este destaque corresponde a uma alteração do tipo de humor que faz rir os portugueses. No entanto, pergunta, «o que sobrevive melhor: o registo do Gato Fedorento ou dos Batanetes?» Para Ferreira Fernandes, o sucesso do programa está em trazer para a televisão, o que não está lá, muito menos nos jornais: o povo. Seja lá o povo quem for. Nuno Artur Silva discorda, «o povo já está na televisão, somos todos nós». Além disso, segundo o agente provocador, de um ponto de vista técnico já não há canais generalistas, «a televisão está segmentada em televisão para pobres e os que têm um pouco mais», cada vez há menos espaço para fenómenos como o Gato Fedorento, um caso isolado.

«Haverá um humor de esquerda e um humor de direita?» Nuno Costa Santos não quis deixar de colocar uma questão política. Ninguém lhe respondeu muito convictamente, mas a pergunta serviu para virar o debate para o polémico tema dos limites do humor, relançado recentemente com a publicação das caricaturas de Maomé num jornal dinamarquês. Rui Tavares, acérrimo defensor dos limites para além do bom-senso, começou por referir a confusão entre os limites sociais e legais do humor (estes não são exclusivos do humor, mas de qualquer discurso). Além destes, há ainda os limites éticos que não coincidem necessariamente com os anteriores. Quanto aos cartoons da polémica, o historiador considera que a resposta dada pela Direita, de que a sátira não pode ter limites, foi mal argumentada. E ainda chamou a atenção para a fragilidade dos «limites do bom senso» - que têm que ser definidos por alguém.

A este propósito, Ferreira Fernandes conta que em 1991 fez uma piada sobre a morte de um militar de alta patente na marginal, na mesma semana do envio de tropas portuguesas para a Guerra do Golfo. Hoje não repetiria a piada, mas também não admitiria que ninguém o impedisse de a fazer. Ferreira Fernandes acha que tem o direito de fazer humor com o que quer que seja e, inspirado por essa convicção, conta como todos os dias passava por um graffiti que dizia «se deus existe, o problema é dele», confirmando assim a sua própria liberdade de expressão. Para Rui Tavares as pessoas que negam os limites do humor estão a desvalorizar as palavras e a prestar um mau serviço à liberdade de expressão. «O bom senso não tem boas mãos», diz Rui Tavares. E não é o único, acrescenta, relembrando que foi John Stuart Mill quem disse que não se pode gritar «fogo!» num teatro cheio de gente, a liberdade de expressão não pode ser assim tão elástica.

Obviamente em desacordo com Rui Tavares, Ferreira Fernandes acha que assim sendo, o futuro do humor aconteceu há duas semanas em Belleville, Paris, onde um grupo de bobos (bourgeois-bohèmes, burgueses boémios) foi atacado por jovens muçulmanos depois de ter publicado, num café, cartazes anti-deus. Ferreira Fernandes está do lado dos bobos, «custou-nos muito a chegar aqui». Rui Tavares não concorda com a dicotomia em que parece que fomos colocados: ou se proíbe a ofensa, ou nos ofendemos todos. E concluiu que o argumento do bom senso é inconsistente já que depois dos cartoons houve ameaças gravíssimas à liberdade de expressão que passaram despercebidas. Exemplos não devem faltar e Rui Tavares convidou os presentes a compararem os resultados de uma pesquisa da entrada «Tiananmen», no google.com e no google.cn (chinês). [Experimente também o leitor.] A Ferreira Fernandes não faz confusão a censura de conteúdos na Internet, a verdade é que pode passear no bairro chinês de Paris com uma t-shirt onde se leia «Cristo é feio» e não pode fazer o mesmo em lado algum se em vez disso se ler «Maomé é feio». Voltando ao bom senso, que a partir de certa hora falou-se mais de bom senso do que de boas gargalhadas, Rui Tavares ripostou que «numa comunidade politicamente organizada, o lugar do bom senso não é estar na lei, é estar nas atitudes: ofender interminavelmente ou ofender um bocadinho. Eu prefiro a segunda, e isso é uma questão de bom senso.»

Para fechar a conversa, Nuno Costa Santos perguntou pelos grandes temas do humor no futuro. «Humor é reconhecimento, as pessoas riem-se daquilo em que se reconhecem», foi a resposta de Rui Tavares que acrescentou: «em Portugal as piadas são sobre sexo e futebol, mas o espaço de liberdade tem estado a aumentar, já se goza com Fátima». Nuno Artur Silva relembrou a polémica do sketch que as Produções Fictícias escreveram para o Herman José sobre a Última Ceia. Foi em 1999, e a única coisa que Nuno Artur lamenta é que o sketch fosse mau. Nessa altura não se podia gozar com Fátima nem com o PCP, quem o dizia era Herman. Um ano depois as Produções assinaram um outro sketch sobre Fátima e este passou sem problemas. «De uma piada sobre futebol pode resultar uma ameaça de morte, mas a religião neste momento não suscita o mesmo interesse», diz Nuno Artur, que sabe bem quem se incomoda com o humor que se faz em Portugal, onde, segundo o especialista, neste momento é mais fácil fazer uma piada sobre Cristo do que sobre Maomé, apesar da confissão religiosa dominante. E foi assim que saímos do São Luiz, com a ideia de um futuro incerto para o humor em Portugal, que não sabemos onde pode começar e acabar, e que vai dominando todas as conversas, como se fosse uma obrigação social.

[Margarida Ferra]

Relato num comentário

terça-feira, maio 02, 2006
Morno. Ainda assim, foi agradável poder ouvir inúmeros episódios com que os intervenientes ilustraram a conversa e fizeram esquecer o facto de as cadeiras do Jardim de Inverno serem, decerto, provenientes dum tribunal do Santo Ofício do futuro.
Melhor momento: o único em que o agente provocador cumpriu essa função, ao manifestar o seu cansaço diante da omnipresença, quase ditadura, do humor em demasiados aspectos da vida pública e privada da actualidade. Pode produzir algum desencanto constatar essa quase obrigação de ter piada, sobretudo depois de décadas a fio em que o humor esteve ausente deste país. Pode até ser paradoxal ser preciso alguém com a profissão do agente provocador para denunciar esse facto. Não deixa de ser verdade que, hoje em dia, qualquer acto de comunicação sem umas graçolas pelo meio está condenado a ser recebido com indiferença pelo/s destinatário/s. Quase como se aquilo que valesse a pena fosse viver dentro duma sitcom com gargalhadas gravadas.

José Quintas.

Ecos na blogosfera

sexta-feira, abril 28, 2006
Três comentários agri-doces.

Jardim de Inverno, ontem

quinta-feira, abril 27, 2006


Nuno Costa Santos, Ferreira Fernandes, Rui Tavares, Nuno Artur Silva

Sem os nossos leitores não somos nada

quarta-feira, abril 26, 2006
Transcrição integral do e-mail que nos enviou o Pedro Vieira:

«caros amigos, a próxima sessão de cultura estúpido no são luiz é, como é habitual, nesta 4ª feira, última do mês? ou é só na 5ª feira? no vosso blogue, ali à barra da direita, diz-se que é no dia 27......... por forma a não ir em vão direito ao chiado queria saber qual é o dia certo, caso contrário terei de dirimir a minha previsível frustração na FNAC mais próxima, enleado por tralhas consumistas e consumíveis.

melhores cumprimentos,

pedro vieira»

O erro já foi corrigido. A sessão é hoje, dia 26. A FNAC pode ficar para outro dia.

É já amanhã

terça-feira, abril 25, 2006
Hora: 18h30
Local: Jardim de Inverno do Teatro São Luiz
Tema: o Futuro do Humor
Convidados: Rui Tavares e Ferreira Fernandes
Moderador: Nuno Costa Santos
Agente provocador: Nuno Artur Silva

Passem palavra.

25 de Abril

Um dos melhores sketches humorísticos a que me lembro de assistir na TV portuguesa passou no Herman Enciclopédia. Via-se um calendário na parede. Data: 25 de Abril. Depois, alguém arrancava a folha. Por baixo, a mesma data: 25 de Abril. Outra folha. E mais outra. E mais outra. Todas com o número 25. Por fim, a voz off (ou um lettering, já não tenho a certeza): 25 de Abril sempre.

[José Mário Silva]

Humor judaico

segunda-feira, abril 24, 2006
Há quem diga que o humor mais subtil e refinado é o judaico. Tire as teimas.

Tipos que nos dão vontade de rir mesmo quando não dizem nada



Woody Allen.

Transferências humorísticas na blogosfera

domingo, abril 23, 2006
Por exemplo, o moderador do debate da próxima quarta-feira, Nuno Costa Santos, escrevia melancomicamente aqui, mas entretanto fechou essa loja e voltou às origens, só ele sabe (quer dizer, ele mais os outros 13) até quando.

O humorista segundo Ambrose Bierce

sábado, abril 22, 2006
HUMORIST, n. A plague that would have softened down the hoar austerity of Pharaoh's heart and persuaded him to dismiss Israel with his best wishes, cat-quick.

A definição consta do famoso The Devil's Dictionary (recentemente editado em português, pela Tinta da China, com tradução de Rui Lopes e prefácio do "nosso" Pedro Mexia), trazendo como adenda uns quantos versos do poeta Alexander Poke:

Lo! the poor humorist, whose tortured mind
See jokes in crowds, though still to gloom inclined --
Whose simple appetite, untaught to stray,
His brains, renewed by night, consumes by day.
He thinks, admitted to an equal sty,
A graceful hog would bear his company.


Já a entrada sobre o riso diz o seguinte:

LAUGHTER, n. An interior convulsion, producing a distortion of the features and accompanied by inarticulate noises. It is infectious and, though intermittent, incurable. Liability to attacks of laughter is one of the characteristics distinguishing man from the animals -- these being not only inaccessible to the provocation of his example, but impregnable to the microbes having original jurisdiction in bestowal of the disease. Whether laughter could be imparted to animals by inoculation from the human patient is a question that has not been answered by experimentation.



Mais informação sobre Ambrose Bierce pode ser encontrada aqui, aqui, aqui e aqui.

Stand out comedy

sexta-feira, abril 21, 2006
Toda a gente anda a dizer o pior possível dos deputados da Nação por causa do famoso episódio da falta de quorum em véspera de ponte pascal. Magno engano. Ao contrário do que alguma imprensa maldosa insinuou, aquilo não foi um "atentado à Democracia", ou coisa parecida, mas antes um gag colectivo em que os nossos eleitos parodiaram os conhecidos vícios do povo que os elegeu: aproveitamento de todos os buracos da lei em proveito próprio, esperteza saloia/desenrascanço (aka capacidade de improviso), falta de pontualidade, absentismo, procrastinação, etc.
Era humor negro, talvez mesmo do mais negro (tendo em conta a imagem do poder político junto dos cidadãos), mas era humor. E foi isso que ninguém soube apreciar.

[José Mário Silva]